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13 de mai. de 2020

Produtores explicam a excruciante sequência do “sonho” de Claire


Os Produtores de Outlander explicam a excruciante sequência do “sonho”/alucinação de Claire

Aviso: este artigo apresenta uma discussão aprofundada sobre abuso sexual. Aconselha-se a discrição do leitor.


Outlander nunca “coloca panos quentes” na realidade da vida do século XVIII, incluindo a prevalência de estupro e violência contra as mulheres durante esse período. O final da 5ª temporada desta noite aborda uma das histórias mais sombrias e controversas da série, seguindo Claire (Caitriona Balfe) enquanto ela é sequestrada, espancada e estuprada.



Mas a série diverge um pouco dos livros, retirando a história do sexto livro e dando a ela um contexto diferente - e sem dúvida mais legítimo -. No livro, o sequestro de Claire é apresentado como um ataque aleatório de um grupo de assaltantes que procuram o estoque de uísque da família. Mas a série o descreve como uma vingança pessoal contra Claire, que passou a maior parte da quinta temporada construindo uma clínica e incentivando as mulheres locais a se defenderem. O principal agressor de Claire, Lionel Brown (Ned Dennehy), se ressente de Claire por encorajar sua esposa a "evitar a cama" dele. Quando Claire é agredida, ela se dissocia, imaginando um mundo em que sua família se reúne alegremente em uma mesa de jantar de Ação de Graças.



Em um vídeo exclusivo para o ELLE.com, os roteiristas do episódio, Matthew B. Roberts e produtor executivo Toni Graphia; diretor Jamie Payne; e a estrela e produtora Caitriona Balfe falam sobre o episódio. Continue lendo para ver os detalhes dos destaques.



O pano-de-fundo


Claire é o terceiro membro da família Fraser a ser estuprada em Outlander. Jamie (Sam Heughan) foi estuprado por Black Jack Randall (Tobias Menzies) no final da primeira temporada, enquanto a filha do casal, Brianna (Sophie Skelton) foi atacada no meio da temporada 4. Vários outros personagens são estuprados na tela ao longo de cinco temporadas, e o programa recebeu críticas e elogios por sua representação de agressão sexual ao longo dos anos.



“Há muitos estupros nesta série de livros e, como um programa e como atores, todos sentimos a responsabilidade de não levar essas histórias de ânimo leve e abordá-las com sensibilidade”, diz Balfe. "Trabalhamos tanto para garantir que cada vez parecesse verdadeira, honesta e respeitosa". Ela acrescenta mais adiante no vídeo: "Esperamos poder esclarecer algo que as pessoas passam na vida real e, de alguma forma, fazer parte de uma conversa positiva sobre o assunto".



A sequência do “sonho”/alucinação


Enquanto sofre o ataque, Claire mostra um espaço onírico (sonho/alucinação) na década de 1960 - para onde Brianna e Roger estão indo quando os vê pela última vez no episódio 11 - e vários membros de sua família, muitos das quais não podem viajar fisicamente para o futuro, são vistos reunidos em torno de uma mesa de jantar de Ação de Graças.




Como Graphia explica, Claire “envolve sua família ao seu redor” para proteger seu cérebro de seus traumas. "Fizemos muitas pesquisas que disseram que as mulheres, geralmente durante esses tipos de ataques, podem se dissociar, e esse é um mecanismo de segurança que seu corpo e cérebro fazem para viver algo assim". ela diz. Isso é semelhante à preparação que Sophie Skelton, que interpreta Brianna, fez por sua cena de estupro na quarta temporada, como ela disse ao HarpersBAZAAR.com em 2018:




“Em minha pesquisa, descobri algo que realmente não sabia: uma resposta da vítima chamada imobilidade tônica, que acontece com muitas mulheres quando são estupradas. Seus corpos “ficam no escuro” e completamente entorpecidos, para que não sintam nada durante o estupro. Eles não estão na sala. Quando Bree vem após o estupro, ela está tremendo e seus nervos estão voltando, e ela começa a sentir os efeitos do que acabou de passar. E, aparentemente, as mulheres que têm essa resposta à imobilidade tônica experimentam PTSD pior depois, porque passam pelo trauma posteriormente.




Essas cenas apresentam vários “presentes escondidos” para os fãs de longa data da série. Graphia ressalta que Jamie enrolando um cobertor (xadrez) em torno de Claire deve ecoar um momento desde a primeira temporada: "Esse é um símbolo de sua proteção". Há também uma pintura abstrata de Fraser's Ridge, como observa Roberts.



Uma laranja aparece várias vezes ao longo da sequência e Graphia detalha a referência da segunda temporada ao ELLE.com:


[É] um eco deliberado da laranja que o rei da França dá a Claire na segunda temporada, episódio 207, "Faith". Depois que Claire dorme com o rei da França para salvar a vida de Jamie, quando ela sai do Palácio de Versalhes, a última coisa que ela faz é pegar a laranja e levá-la com ela. Foi um pequeno gesto de Claire, uma escolha que simboliza que ela está saindo com sua dignidade. Matt e eu o incluímos de propósito nas escapadas dos sonhos de Claire em 612: a laranja sendo visível na cena de abertura em sua sala de estar; então, quando confrontada com a opção de matar Lionel em vingança, Claire pisca na laranja - e depois ela saindo com ela - um símbolo de que ela assumo o papel principal. Ela tem um pedaço de si mesma que ninguém pode tirar dela. Esperamos que os fãs que se lembram do episódio da segunda temporada o entendam!


Descrevendo a violência na tela


"Foi provavelmente o episódio mais difícil que já tivemos em filmar", diz Graphia. Payne acrescenta: "Minha responsabilidade como diretor é garantir que não gravemos nada de que não precisamos, tanto quanto a natureza potencial gratuita dessa violência".



Balfe admite que é difícil filmar essas seqüências, mas se sentiu pior pelos homens que interpretavam os agressores de Claire. "Para mim, sim, é uma situação horrível ter que passar por esses atos de estupro, mas para os homens, acho que foi horrível que eles tivessem que habitar esses estupradores horríveis", diz ela. “E todos eles eram tão respeitosos. Mas acho que você quer que seja real e visceral.



A recuperação de Claire


Ao longo da série, Claire frequentemente declara seu compromisso com o Juramento de Hipócrates: “Não faça o mal”. Jamie (Sam Heughan) e o resto dos socorristas de Claire capturaram Lionel após o ataque, e uma vez que Claire está segura em sua casa, ela tem a chance de enfrentar Lionel e se vingar. Em vez disso, ela se recusa a quebrar seu voto, mas uma vez que está sozinha novamente, ela cai em lágrimas. “Ela é forte, mas não é super-mulher, então temos aquele momento no corredor em que isso simplesmente a atinge, porque é o que acontece na vida real: você vai junto e pensa que vai ficar bem, e então ela realmente enfrenta Lionel Brown ”, diz Graphia. “Muitas mulheres fazem isso, como a bravura das mulheres hoje em dia que vão a tribunal e enfrentam o agressor. Isso não significa que ela não está danificada e que não sentirá isso pelo resto da vida. "




Balfe também discute seu compromisso em encontrar nuances dentro de Claire, mesmo depois de interpretar o personagem por cinco temporadas. "Também tentamos esclarecer o fato de que, apesar de Claire ser esse personagem forte, a força não é apenas otimismo", diz ela. “Força é vulnerabilidade. A força também é experimentar a dor e permitir-se quebrar, até certo ponto.”




Artigo original por Julie Kosin, traduzido pela Equipe Outlander Brasil

12 de jun. de 2016

Especial Dia dos Namorados: Jamie & Claire



Eu confesso que fiquei alguns minutos em frente ao meu computador pensando por onde começar… e por alguns momentos eu pensei que talvez não conseguisse expressar através de palavras o sentimento que foi passado a mim quando li a história deste casal. Para quem nunca leu os livros acho que seria impossível compreender ou talvez tentar entender a essência do romance entre Claire e Jamie através das minhas palavras, e acho que os que acompanham a história, como eu, também teriam dificuldades de explicar esse sentimento, ainda mais sabendo que é apenas uma história, inventada, criada, sonhada, mas posso garantir, com toda certeza, que não como todas as outras.
       
Eu poderia dizer que começou com um simples olhar, à primeira vista, no primeiro encontro, com arrebatadora paixão e desejo, mas não foi assim, não como estamos acostumados a ver em outros livros e outros romances. Tudo começou com o acaso, ou talvez destino... destino, palavra que define como nenhuma outra os livros de Diana Gabaldon, parece ser a palavra chave que deu início a uma amizade profunda cultivada através da convivência diária entre ambos os personagens. Quando você começa a ler o primeiro livro da série, você nem tem ideia de que Claire um dia se tornaria a vida de Jamie e Jamie se tornaria a vida de Claire. Os acontecimentos são tão sutis, que mesmo o leitor mais experiente, não se da conta de que aquela amizade inicial entre os personagens viraria algo tão profundo a ponto de nos fazer querer e desejar este sentimento para nós mesmos.
       
Então temos a pergunta: Quem é Claire e quem é Jamie? Inúmeras palavras, adjetivos e defeitos poderiam definir a ambos, porém a complexidade que envolve estes dois personagens vai muito além de simples adjetivos. Um resumo de ambos seria: Claire, mulher, enfermeira, sobrevivente de um mundo pós-guerra, jogada no tempo e deixando para trás um amor, conhece Jamie, escocês, inteligente, malicioso, também inocente, que iria se tornar seu novo e último grande amor. Ouso dizer que Jamie é mais que o último grande amor de Claire ou vice-versa, é mais do que palavras, carinho e devoção. Ás vezes ao longo da história parece que Jamie e Claire são um só, como se ambos formassem um só personagem, que desse todo o rumo, sentimento ou sentido a cada parágrafo lido. Cada toque, cada palavra, afirmação ou reafirmação de desejos e promessas entre ambos são únicas. Não existem mentiras ou enganos, é tudo muito sincero, muito real, por mais que saibamos de que se trata de uma ficção. Mesmo com as piores adversidades, as mais cruéis provas, a sinceridade entre ambos é algo sem limites e porque não dizer invejável, afinal quem não gostaria de poder ter uma relação tão sincera assim? Sem julgamentos, arrependimentos ou culpas.
       
Enfim, Claire é uma personagem forte, decidida e vivida, que por um acaso do destino, ou não, volta no tempo e conhece Jamie Fraser, mais jovem e em alguns momentos, inocente. Ambos em meio a inúmeras atribulações se tornam amigos, se casam por uma imposição no início e se mantém unidos por amor depois. Durante toda a narrativa vemos os sofrimentos por quais ambos passam, a angústia de Claire e seu dilema por querer voltar ao seu tempo, ao seu antigo amor e ao mesmo tempo sua relutância em não querer abandonar seu novo amor, Jamie. Um dos momentos mais lindos do livro, me arrisco a dizer de todos os livros da série, sem dúvida, é o momento da decisão de Claire, quando ela finalmente decide por Jamie, quando ela decide abandonar seu passado que por ironia é o futuro, para ficar ao lado de seu grande amor. Com simples passos Claire percebe que seu corpo, sua vontade e seu coração passaram a pertencer apenas a Jamie. Por muitas vezes durante as minhas leituras dos livros eu me perguntava: Será que eu faria o que Claire fez? Abandonaria tudo, todos por um grande amor? Às vezes eu ainda me pego sem ter uma resposta e acho que cada um que acompanha a história ainda não formulou a sua. Isso porque a todo o momento em que a dúvida aparece à Claire, ela se incorpora a nós leitores, mas ao mesmo tempo é dissipada quando a personagem nos releva que não há dúvidas, voltas ou arrependimentos. E estes momentos são gloriosos, porque é sempre no instante em que Claire olha para Jamie ou quando Jamie olha para Claire.
       

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