Lallybroch
05 janeiro 2018

Outlander x Kindred

                                             

Outlander x Kindred


O texto abaixo pode conter spoilers dos três primeiros livros de Outlander 

Octavia Butler foi uma precursora na ficção científica, abrindo portas para outras mulheres em uma área dominada por homens. Tendo se tornado conhecida como “A primeira dama da ficção científica”, em 1979, ela publicou “kindred”, uma história sobre uma mulher negra que viaja no tempo da Califórnia dos anos setenta para o sul escravagista dos Estados Unidos antes da guerra de secessão (séc. XIX). Em 1991, Diana Gabaldon lança seu romance sobre uma enfermeira inglesa da segunda guerra que se transporta no tempo para a Escócia na iminência do levante jacobita de 1745. O que Dana (a personagem de Octavia) e Claire têm em comum além da habilidade de suas escritoras escreverem mulheres fortes em uma época dominada por homens? Quais são as diferenças que as tornam tão únicas? E qual o paralelo entre as teorias de viagem no tempo criadas pelas duas autoras? 


                                                            
Diana Gabaldon
                                           
Octávia Butler


          Dana “viaja” pela primeira vez no dia do seu aniversário de 26 anos, enquanto organizava seu apartamento com seu marido, Kevin. Ela não precisou entrar em um círculo de pedras como Claire, sua situação foi muito mais assustadora. Ela começou a passar mal, sentia-se tonta e nauseada e simplesmente desapareceu na frente de seu marido, reaparecendo alguns segundos depois. Para Kevin, foram segundos, mas Dana sabia que haviam se passado minutos. Nessa primeira viagem, Dana salva a vida de um menino ruivo chamado Rufus, mas acaba retornando ao seu tempo quando seu pai aponta uma espingarda para ela. No mesmo dia, Dana é chamada novamente para próximo a Rufus para novamente salvar o menino, entretanto desta vez ela passa horas e tem a oportunidade de conversar com um Rufus um pouco mais velho do que no incidente anterior, descobrindo assim que ela fora transportada para Maryland de 1815. Não apenas Dana havia viajado no tempo, como também no espaço. Dana passa a enfrentar um perigo muito maior que o de Claire, pois ela era uma mulher negra em meio a uma sociedade escravagista a qual se já não dava voz a mulheres brancas, considerava como corpos descartáveis as negras.

Acredito que a partir daí já temos dois grandes divisores de águas entre as obras de Butler e Gabaldon. O primeiro é que o tempo em Outlander se passava de forma paralela, um minuto no passado, era um minuto no presente, o que não ocorre em Kindred. Além disso, Claire precisava de um mecanismo (o círculo de pedras) para transportá-la e não conseguia voltar para a sua época a não ser por ele. Em segundo, Claire, como mulher branca, tinha uma ameaça diferente à sua liberdade. Ela pode ter sido mantido prisioneira pelos Mackenzie, porém fora tratada com o respeito que se era dado as mulheres da sociedade (até certo ponto). Ela ainda era vista como um ser humano; inferior, contudo, ser humano. Esse privilégio não foi concedido a Dana, cuja cor da pele fazia dela um alvo para um aprisionamento cruel, agonizante e desesperador. 


Claire conhece a escravidão como espectadora, e sente a dor por empatia, principalmente por ter um amigo negro e enxergar nos escravos a lembrança e a presença do homem a quem havia confiado sua própria filha. Dana, não. Ela era uma mulher dos anos setenta, que nasceu e viveu em liberdade toda a sua vida, que não conhecia violência de perto, e que foi arrastada para o inferno em que ser negra era ser pior que bicho. 

“Já tinha visto pessoas serem surradas na televisão e nos filmes. Já tinha visto sangue falso nas costas delas. Mas não havia ficado perto e sentido o cheiro de suor, nem ouvido as súplicas e as orações das pessoas humilhadas diante de suas famílias e si mesmas. Eu provavelmente estava menos preparada para a realidade do que a criança que chorava não muito longe de mim. Na verdade, ela e eu estávamos reagindo de modo muito parecido. Meu rosto estava banhado em lágrimas. E minha mente ia de um pensamento a outro, tentando me desligar das chibatadas. Em determinado momento, essa covardia extrema até trouxe algo útil. Um nome para os brancos que atravessavam a noite no sul pré-guerra, derrubando portas, surrando e torturando negros.
Capatazes. Grupos de jovens brancos que mantinham a ordem de modo ostensivo entre os escravos. Capatazes. Precursores da Ku Kux Klan.
(...)
- Você não tem modos, preta, vou te ensinar a me respeitar!
- (...) Quanto você deve valer?
Entrei em pânico. Era muito ruim que ele tivesse me pegado e estivesse me segurando. Agora, ele queria me entregar como fugitiva...” (Kindred)

Claire e Dana passam por outra experiência semelhante, ambas são quase estupradas por homens, quando perdidas em uma floresta em um tempo estranho. Claire, pelo ancestral do marido, o capitão Randall. Dana, por um capataz da fazenda do pequeno Rufus que tinha ido atrás de se aproveitar de outra negra, mas a encontrou no meio do camiho. Outro recurso usado por ambas autoras é o que eu chamo de “marido útil”. É muito comum em livros ou filmes escritos/dirigidos por homens encontrarmos a figura da “figura feminina útil”, ela não tem um papel realmente importante, existe apenas para auxiliar, dá suporte, trazer meios para que o protagonista resolva problemas, ou ser uma fonte de informações que justifique o comportamento do personagem principal. São figuras cuja vida própria não tem muita relevância para o leitor/telespectador, meros recursos. Octávia e Diana ao se utilizarem de heroínas femininas, realizaram uma inversão de papéis, criando o “marido útil”. Kevin, cuja profissão de escritor abre espaço para haver no lar do casal, inúmeros livros de não ficção que permitiram a pesquisa sobre a vida dos negros nos Estados Unidos no período escravagista[1]. O fato de ele ser branco é outra utilidade para Dana, uma vez que ela consegue levá-lo em uma de suas “viagens” e a cor da pele dele serve como proteção para ela; e Frank, cuja profissão de historiador, especialista no levante de 45, permitiu a Claire ter informações privilegiadas acerca do tempo para o qual fora transportada. Toda a existência de Frank, como personagem, orbitava ao redor de Claire. O que já não ocorre com Jamie. Ele é um par romântico, porém em pé de igualdade com a protagonista e cuja existência não se justifica como “estepe” para ela, nem como mero fornecedor de respostas e soluções. 


Claire não entende realmente como funciona o mecanismo da viagem no tempo. Ela descobre que apenas algumas pessoas podem realizar a travessia, portanto, deve estar relacionada a um algum traço genético. Além disso, em algum momento, ela chega à conclusão de que apesar de existir uma média de duzentos anos para as viagens, ela não é exata, pois o viajante é atraído por algo em um determinado tempo, uma pessoa que funciona como uma espécie de centro gravitacional. Na primeira viagem de Claire, ela é atraída para o tempo do ancestral do marido, o qual ele estava compulsivamente pesquisando. Na segunda, ela já viaja com o objetivo de retornar para Frank, conseguindo assim, alcançar seu tempo de origem. E na terceira, reencontrar seu grande amor, Jamie, é o seu imã para o período almejado. Em Kindred, Dana vai descobrindo aos poucos, o que a faz viajar, para onde, e por quê. Assim, como Claire, ela e Kevin formulam teorias. Mas para o leitor desta obra de Octávia, a fonte de atração já é um pouco óbvia até pelo próprio subtítulo colocado na tradução do livro para o português “Kindred: laços de sangue”. Ademais, a palavra “Kindred” pode ser traduzida para o português como “parentes”. Assim, durante a narrativa, a própria existência de Dana é colocada em risco, enquanto em Outlander, Claire nunca questionou se suas ações poderiam afetar o seu nascimento, mas sim, o de Frank. 

Quando lemos ou assistimos à Outlander, podemos compreender que as atitudes de Claire é que possibilitaram que o futuro que ela conhece, fosse como ele é, como se fizesse parte de um plano maior a presença dela naquele século. O mesmo ocorre com Dana. Ela teme um efeito pernicioso para si, porém com o desenrolar da história percebemos que são suas palavras, seus gestos e condutas que constroem o futuro que ela conhece e que justificam sua própria existência. 

Claire não viaja com um objetivo claro da primeira vez, mas acaba se apaixonado por um highlander ruivo que se torna o motivo de sua segunda viagem. Dana realiza várias viagens para encontrar Rufus, o seu ruivinho, a quem ela acompanha desde criança até a vida adulta. Entretanto, ao contrário de Outlander, Kindred não é uma história de amor. Não é este o foco narrativo. Por mais que Kevin e Dana sejam apaixonados, e existam obstáculos colocados no relacionamento deles que tornam a trama interessante e fazem os leitores torcerem pelo casal, como eu mencionei anteriormente, Kevin não estão em pé de igualdade com Dana em termos de protagonismo. É a história de Dana e de como por alguma força superior inexplicável, ela torna-se uma espécie de anjo da guarda para Rufus, a quem tenta constantemente ensinar um pouco de respeito aos negros, para que no futuro, ele seja uma pessoa melhor e trate os escravos de sua propriedade com o mínimo de dignidade. 

“Eu era a pior guardiã possível que ele podia ter, uma negra para cuidar dele em uma sociedade que via os negros como sub-humanos, uma mulher para cuidar dele em uma sociedade que via as mulheres como eternas incapazes. Eu teria que fazer tudo o que pudesse para cuidar de mim mesma. Mas o ajudaria da melhor maneira que conseguisse. E tentaria manter a amizade dele, talvez plantar algumas ideias em sua mente que ajudassem a mim e às pessoas que seriam seus escravos nos anos vindouros." (Kindred). 

Tanto Claire como Dana aprendem a se preparar para suas viagens. Claire carrega consigo em O Resgate no mar, penicilina, seringas e outras coisas que lhe poderiam ser úteis. Dana leva aspirina, um livro sobre escravidão, mapas, caneta e uma faca para proteção- o que os escoceses chamavam de “Sgian dubh”, a adaga escondida. Claire conquista o respeito dos Mackenzie por meio de suas habilidades de cura e sua lealdade para com o grupo. Dana, o apreço dos outros negros da fazenda por sua disposição de ajudar, e de se rebelar quando necessário, mesmo que em pequenas lutas. Por meio de seus ensinamentos, ela consegue devolver um pouco de dignidade e esperança aos seus companheiros. Até mesmo Tom, o cruel dono da fazenda de escravos, começa a olhar para ela com um misto de medo e um pouco de respeito pelos seus conhecimentos quando percebe que ela não é uma mulher comum. Ambas, Claire e Dana com sua visão do futuro conseguem carregar uma onda de mistério e misticismo que aos olhos daqueles do passado pode fazê-las parecer uma entidade sem explicação. 

Além disso, apesar de Dana não ter formação médica como Claire, seus conhecimentos sobre higiene e transmissão de algumas doenças fazem com que ela seja considerada como uma curandeira para os moradores da fazenda.

A opressão feminina não fica por conta apenas do silenciamento, objetificação e das tentativas de estupro. Claire e Dana levam surras mais de uma vez. A primeira por sua condição de mulher e curandeira, quando recebe chibatadas em Cranesmuir, no julgamento das bruxas, e anteriormente pelas mãos do próprio marido que à época acreditava ser seu dever discipliná-la; a segunda por ser mulher e escrava. As surras que Dana levavam também compreendem a ideia de incapacidade que existem na surra que Jamie deu em Claire. Se mulheres deveriam ser “ensinadas” por seus maridos uma vez que eram vistas como crianças, inaptas a tomarem decisões próprias e devendo ser sempre submissas; esse aspecto não era diferente com as escravas, cujas vontades deveriam ser inexistentes e a obediência, cega. 

“Existe uma coisa chamada justiça, Claire. Você agiu mal com todos eles e terá que sofrer por isso. - Respirou fundo. - Sou seu marido; é meu dever resolver isso e é o que pretendo fazer.
Eu tinha fortes objeções a essa proposição em diversos níveis, qualquer que fosse a justiça dessa situação - e eu tinha que admitir que em parte ele tinha razão - meu senso de amor-próprio ofendia-se profundamente diante da idéia de levar uma surra, por quem quer que fosse e por qualquer que fosse a razão.
Senti-me profundamente traída pelo fato de que o homem do qual eu dependia como amigo, protetor e amante pretendesse fazer tal coisa comigo. E minha noção de autopreservação estava aterrorizada diante da idéia de me submeter à compaixão de um homem que manejava uma espada de sete quilos como se fosse um mata-moscas.
- Não vou permitir que bata em mim - disse com firmeza, agarrando-me à coluna do dossel da cama. - Ah, não? - Ergueu as sobrancelhas ruivas. - Bem, vou lhe dizer, menina, acho que não tem muita escolha. Você é minha mulher, quer goste ou não. Se quisesse quebrar seu braço, deixá-la a pão e água ou trancá-la num quartinho por vários dias - e não pense que não me sinto tentado -, eu poderia, quanto mais esquentar o seu traseiro.” (Outlander- A viajante do tempo)

Entretanto, enquanto podemos listar como duas as surras obviamente resultantes da sua condição de mulher para Claire; são inúmeras as vezes que Dana apanha devido a sua condição de mulher negra, incontáveis humilhações que ela precisava aguentar calada para sobreviver. Octávia retrata a crueldade de um período que por mais queiramos esquecer, devemos nos esforçar para lembrar para que ele nunca mais se repita. Nas palavras da própria Dana, “(...) Não sabia que as pessoas podiam ser condicionadas com tanta facilidade a aceitar a escravidão.”



Octávia e Diana são escritoras com uma capacidade de descrição assustadora. Se é possível encontrar uma amostra da opressão feminina nas páginas de Outlander, é evidentíssimo em Kindred a denúncia ao abafamento da dor e sofrimento da mulher negra: das surras, do trabalho exaustivo, dos filhos vendidos, das famílias separadas, das humilhações, da comida ruim, da dormida no chão imundo, do racismo abertamente aceito, da impotência para se defender, da ausência de voz, da usurpação de identidade, da imposição de inferioridade. 




Kindred é um livro triste, marcante, perturbador, porém necessário. Apresenta a escravidão com um víes tão estranho, tão confuso, que somos capazes de entender os pensamentos de Dana como manifestações navegantes entre uma espécie de síndrome de Estocolmo, um desejo por sobrevivência, e um sopro de rebelião.







Por Tuísa Sampaio






[1] Ambos, Kevin e Dana, eram escritores que se sustentavam por meio de sub-empregos, porém Kevin muitas vezes auxiliava Dana nos procedimentos de pesquisa, ensinava-a a ser proteger, e lhe fornecia informações extras. Ele era um espécie de Robin para o batman dela.
28 dezembro 2017

As mulheres reais de Outlander: Marie Louise de La Tour d'Auvergne

As mulheres reais de Outlander : Marie Louise de La Tour d’Auvergne


Contém spoilers da segunda temporada/segundo livro

Trazida de volta à vida em ficção


A série de TV “Outlander” da Starz é de longe um dos maiores sucessos da televisão nos últimos anos. A série é baseada nos livros de Diana Gabaldon e conta a história da enfermeira da segunda guerra mundial Claire, que acidentalmente viaja pelo tempo e acaba na Escócia no meio do século XVIII. Os livros de Diana Gabaldon são imensamente populares – também porque ela inclui eventos e pessoas históricas reais. Podendo ser Charles Edward Stuart, o pretendente ao trono britânico, ou Louise de Rohan, a amiga parisiense de Claire. Louise introduz Claire à sociedade parisiense e até mesmo ao rei. No momento em que Claire luta com o nascimento da sua filha natimorta, ela está lá para ajudá-la. Ela também é retratada como a amante de Charles Edward Stuart.


Realidade

A verdadeira Louise de Rohan nasceu em 15 de Agosto de 1725 em Paris como Marie Louise Henriette Jeanne de La Tour d’Auvergne. Seus pais foram Charles Godefroy de la Tour d’Auvergne (1706–1771), Duque de Bouillon, e Maria Karolina Sobieska, filha do rei da Polônia. De início, ela deveria tornar-se a esposa de Honoré III de Mônaco. Entretanto, os planos da família mudaram. Quando ela estava com dezessete anos, ela casou-se com Jules Hercule Mériadec de Rohan, príncipe de Guéméné, no dia 17 de fevereiro de 1743. Dois anos depois ela deu a luz a um filho. Em 1746, ela sofreu de varíola, mas sobreviveu. 

O caso com o “bonnie prince Charles”

Seu marido estava longe a maior parte do tempo, visto que ele era membro do exército francês lotado nos Países Baixos (Holanda). Em 1747, ela conheceu seu primo Charles Edward Stuart, e eles se apaixonaram um pelo outro. Começaram um caso que eles precisavam manter em segredo. Embora o adultério fosse amplamente aceito na alta sociedade, tinha que ser mantido em segredo. Era especialmente difícil para Louise, uma vez que sua sogra sempre a vigiava. Charles e Louise comumente escapavam da vigília da mulher à meia-noite, mas o caso teve suas consequências: primeiramente, a sogra de Louise uma vez chamou a polícia para impedi-la de ver Charles novamente. Em segundo lugar, Louise engravidou.


Para esconder o escândalo, Louise tentou seduzir seu marido para fazê-lo acreditar que ele era o pai da criança. Para salvar o nome da família da ruína, seu sogro e sogra forçaram-na a escrever uma carta para Charles a fim de acabar com o caso. Marie Louise, entretanto, ameaçou se matar se eles não permitissem que ela o visse novamente. Charles continuou visitando a família, mas ele já havia achado um novo amor: Clementina Walkinshaw.


Em 28 de julho de 1748, Louise deu à luz ao filho do amante. O menino, Charles Godefroi Sophie Jules Marie de Rohan, foi aceito como um membro legítimo da família Rohan, mas morreu cinco meses depois. A sogra de Louise informou ao pai de Charles sobre o nascimento do seu neto. É desconhecido o que o próprio Charles teve a dizer sobre o filho.


Vida posterior

Após a perda do amante e do filho, sua vida mudou drasticamente. Ela tornou-se uma esposa fiel e mais tarde trabalhou como governanta das crianças reais. Era conhecida por seus bailes e festas luxuosos, e logo o casal estava profundamente endividado. Em 1783, a dívida deles atingiu 33 milhões de francos. Ela teve que desistir de sua posição na corte, e seu marido não era mais igualmente bem-vindo lá. Entretanto, seu casamento parece ter sido feliz no final.  Não há clara evidência quanto à data de sua morte. Contudo, a maioria dos especialistas acredita que ela tenha se tornado uma vítima da revolução francesa e morrido em 1793 da mesma maneira que a Rainha Marie Antoinette: pela guilhotina. Ela foi enterrada no convento Feuillant, junto com seu segundo filho.


Louise “retornou à vida” em 2016 quando a segunda temporada de Outlander foi lançada. A atriz francesa Claire Sermonne interpreta a amiga engraçada e amparo da protagonista Claire Fraser. Seu retrato de Louise fez uma mulher extraordinária ser conhecida por um público mais amplo. Embora Outlander seja ficção e goste de brincar com fatos históricos, isso mostra que tipo de vida Louise deve ter tido. O que ela sabia e via, o que ela acreditava, e quem ela amava.


Artigo traduzido de History of Royal Woman




18 dezembro 2017

Livro x Série de TV- Episódio 13 (season finale): Eye of the storm

Contém spoilers do episódio e dos livros

Episódio 13 (season finale): Eye of the storm


O ultimo episódio da temporada trouxe às telas parte dos escritos dos capítulos 60 (Cheiro de pedras preciosas), 61 (A fogueira do crocodilo), 62 (Abandawe), 63 (Das profundezas), e uma cena que foi cortada do capítulo 52 de O Resgate no mar, concluindo-o. Na estrutura do episódio, inicialmente, Jamie e Claire estavam separados, mas como, além de ser por um pedaço pequeno de tempo, no livro, eles chegam à mansão da rosa juntos, preferi não utilizar uma separação em tópicos nesta análise.


Quem pegou o livro percebeu que muitas páginas formam esses capítulos finais, e com isso boa parte da trama descrita neles foi excluída de Eye of the storm. Eu acredito que o essencial para a compreensão e apresentação ao público do encerramento dessa história estava presente no “finale”, porém algumas coisas interessantes foram deixadas de lado também. No capítulo 60, Jamie e Claire chegam à mansão rosa, conversando sobre o que poderia acontecer com o sr. Willougbhy caso fosse encontrado pelos oficiais britânicos (enquanto na série, o chinês havia fugido com Margaret; no livro, ele estava se escondendo de uma acusação de assassinato). No material original, Jamie e Claire entram na casa de Geillis pela porta da frente (sem ainda saber a verdadeira identidade da sra. Abernathy); no episódio, Claire, sozinha, é encontrada por um dos escravos de Geillis bisbilhotando a propriedade e é levada a patroa, que ela já sabia quem era, de início como prisioneira. Enquanto esperava pela dona da casa na sala, Claire toma chá, e quando Geillis entra, o espanto é tanto que ela deixa a xícara cair. Claire pergunta por que Geillis não está morta ao que a amiga responde que muitas pessoas perguntam isso, e que ela sempre pensou se um dia veria Claire novamente após Cranesmuir. Elas conversam sobre Cranesmuir e sobre o dia em que Gillian Edgars atravessou as pedras para tornar-se Geillis Duncan. Geillis pergunta a Claire também quem a acompanhava quando ela tentou impedi-la de atravessar as pedras em 1968, mas Jamie interrompe o diálogo. Jamie pergunta como Geillis havia ido parar lá naquele lugar, e ela conta a mesma história que, na versão adaptada, ela contara a Claire no episódio anterior. Tem algo importante que aparece na conversa do livro; mas não, na das telas: o apelido de Geillis quando morou em Paris, período esse em que ganhou fama de vidente. Ela comenta que passou anos lá com o nome de madame Melisande Robicheaux. Aqueles que leram o conto “The space Between” estão mais familiarizados com as atividades de Geillis durante esse período. Ela também conta que Dougal havia a ajudado a fugir porque ela havia ameaçado matar a criança, o que não aparece na conversa do episódio anterior. Quando os Frasers dizem que estão a procura do sobrinho Ian Murray, Geillis afirma que o único trabalhador branco que existe na propriedade é o administrador. Jamie pergunta se Geillis não tem medo de morar sozinha, longe da cidade, cercada por tantos escravos. É quando ela lhes apresenta Hércules, mencionando que ele tem um irmão gêmeo chamado Atlas, ela afirma que os escravos a temem porque acham que ela é uma bruxa. Claire percebe que Hércules tem um olhar muito vazio e pergunta se ele não é um zumbi. No episódio, é Hércules que captura Claire e leva-a até Geillis.




Geillis recorda-se das habilidades médicas de Claire e pede ajuda para tratar de dois de seus escravos, enquanto Jamie se oferece para consertar o moinho de açúcar dela. Geillis informou a Claire que um dos pacientes tinha um verme loa-loa que se alojava no globo ocular, ela precisava manter o homen no escuro porque a claridade fazia com que os vermes se movimentassem, o que era muito doloroso. Claire fez uma incisão no olho e retirou o problema. Já o outro paciente tinha uma hérnia estrangulada e findou morrendo antes que Claire chegasse a ele. Claire usou a desculpa de que precisava examinar uma escrava grávida para conversar com ela e perguntar sobre Ian, mas a moça afirmava que não havia garotos brancos ali. Quando Claire retorna à sala, Geillis está olhando as fotos de Brianna. As duas passam a conversar sobre a filha de Claire e Jamie. Geillis faz várias perguntas a Claire em relação à travessia, como ela conseguiu passar pelas pedras mais de uma vez? Ela usou algo como sangue ou pedras preciosas? Claire percebe, então, que Geillis matou o marido para usar o sangue que ela acreditava precisar para a passagem.


No episódio, Claire encontra Geillis sozinha, e ela acha estranho Claire estar constantemente entrando em seu caminho. Para provar que tudo que ela contara para Geillis era verdade, sobre ela ter voltado ao seu próprio tempo para criar a filha de Jamie, Claire mostra a fotos de Brianna. É quando Geillis percebe que Brianna era a moça da profecia e esconde uma das fotos. No livro, ela também pega uma foto escondida, mas como já comentei anteriormente, a profecia foi modificada e originalmente não falava de um bebê de duzentos anos que precisava morrer, e sim, que o um descendente da linha fraser de lovat sentaria no trono escocês. Quando Claire é dispensada para descansar em Eye of the storm, ela encontra Jamie que estava a procurando na propriedade após ter sido solta com a intervenção de lorde John a pedido de Fergus. Esta foi uma cena que não existe no livro, mas que além de uma ótima solução para essa prisão inventada, foi gostosa de assistir à dinâmica entre os amigos e a humilhação do capitão Leonard. Voltando ao capítulo 60, Claire tem certeza que Ian está na casa, quando vê o tesouro das focas com Geillis. A sra. Abernathy usa a caixa para explicar sobre o poder das pedras preciosas em estabilizar a viagem no tempo. Geillis chama Claire para ir até seu gabinete de trabalho, Claire questiona a “amiga” sobre quantas vezes ela havia se casado, e ela responde que acha que cinco. Claire assusta-se com a quantidade, é quando Geillis comenta que o ar dos trópicos é muito insalubre para os ingleses, qualquer coisinha os faz ficarem doentes. Algo semelhante ao que ela havia dito em The bakra. Geillis apresenta a Claire o “veneno de zumbi”, uma poção que ela recebera de um cozinheiro escravo chamado “Ishmael”. Daí descobrimos de onde “Ishmael” havia surgido (lembrando que o personagem foi excluído da série). Geillis conta que Ishmael havia sobrevivido ao naufrágio de um navio negreiro, segurando-se em um barril de bebida. Os homens que o encontraram, quando foram abrir o recipiente acharam um corpo imerso no crème de menthe. E agora temos a explicação do livro do que acontece com o corpo do guarda, bem diferente do que aparece na série. Acho interessante como Diana sempre consegue fechar os arcos das tramas paralelas que surgem nos seus romances com uma sequência de coincidências perfeitas. Quase nada acontece por acaso, assim quando algo realmente aparece de forma aleatória, é muito difícil de acreditar que não haja uma justificativa mais à frente. Após falarem sobre “Ishmael” e o veneno de zumbi (a bebida que fazia Hércules parecer um morto-vivo), Claire e Geillis passam a discutir os pormenores das viagens no tempo. Quando Claire viajou, o uso das pedras preciosas e o sangue. É nesta conversa que Claire comenta que acredita que uma das coisas que atrai o indivíduo para um determinado tempo é fixar a mente em uma pessoa que está no tempo que você quer viajar. Assim, a conversa que aparece no episódio, apesar de conter uma animosidade que não é apresentada no livro, contém alguns dos pontos apresentados durante esse extenso diálogo entre as duas viajantes. Após o término da conversa, elas foram atrás de Jamie que já havia acabado de consertar o moinho com a ajuda do administrador da fazenda. Geillis o convida para um lanche, mas ele a informa que precisa partir logo para Kingston a fim de chegarem antes do anoitecer. Ele pergunta a Geillis ainda se ela conheceu o duque de Sandringham, e ela confirma. Quando estão sozinhos, Jamie conta a Claire que apesar de não ter conseguido nenhuma informação com os escravos ou o administrador sobre o paradeiro do jovem Ian, ele imagina onde o sobrinho esteja. Jamie havia olhado o terreno enquanto fazia sua tarefa, mas ninguém o havia deixado chegar próximo ao engenho, era ali que ele acreditava estar Ian. Eles foram se esconder, esperando o melhor momento para entrar no engenho, quando viram o reverendo Archie Campbell chegando para fazer uma visita a Geillis. No episódio, Claire e Jamie só encontram o ministro junto a cerimônia sagrada da tribo nativa jamaicana, estando ele em busca de sua irmã que havia fugido para lá junto com sr. Willoughby. No livro, Jamie traça um plano para ir de barco pegar jovem Ian o que iria demorar alguns dias e precisaria da ajuda de John Grey.




No capítulo 61 (A fogueira do crocodilo), a empreitada para salvar Ian começa. Quando o barco atraca, Jamie parte, deixando Claire com uma pistola carregada e esperando junto com Stern e seus homens nas proximidades da embarcação. Enquanto esperava, Claire viu uma figura passando pela casa, a qual ela sabia não ser Geillis. Ela a segue, pensando ser jovem Ian, mas na verdade era o reverendo Campbell, que a reconhece. Ele a questiona sobre o que ela estaria fazendo ali, o que Claire responde que procurava pelo sobrinho do marido e retruca a ele sobre onde estaria a senhora Abernathy, o que ele não soube responder. Eles passam a discutir porque, por meio de Geillis, Campbell havia descoberto o verdadeiro nome de James, acreditando ser ele o causador dos infortúnios da irmã. Claire explica que ela falara com Jamie, e ele lhe dissera que o namorado de Margaret chamava-se Ewan Cameron, mas o reverendo não acredita. Claire estava se sentindo ameaçada por Campbell até que ela vê o pelicano de estimação do sr. Willoughby e imaginou que o sócio chinês do marido estivesse por perto. Na série, o sr. Willoughby não tem esse pássaro. Durante o diálogo, Campbell conta que estava na fazenda realizando cópias de uns documentos a pedido da senhora abernathy (vou abrir esses parênteses só para destacar que eu constantemente chamo Campbell de reverendo porque ele tem esse ofício no livro, mas na série, vale lembrar, ele apenas explora as visões da irmã). No material original, é durante essa conversa que Claire fica sabendo sobre o conteúdo da profecia Fraser feita pelo adivinho Brahan.


“A profecia diz que um novo governante da Escócia surgirá da linhagem Lovat. Isso ocorrerá depois do eclipse dos ‘reis da rosa branca’, uma clara referência aos Stuarts papistas, é claro. – Balançou a cabeça indicando as rosas brancas no desenho do tapete. – Há referências mais obscuras na profecia, é claro; a época em que esse governante surgirá e se será um rei ou uma rainha, há uma dificuldade de interpretação, devido ao manejo errado do original...”

Enquanto Claire passa a pensar sobre o que Campbell havia dito acerca da profecia, o Sr. Willoughby entra na sala e acusa o reverendo de ter assassinado a sra. Alcott (trama exclusiva do livro). O sr. Willougby continua seu discurso dizendo que já havia visto o reverendo muitas vezes na Escócia com prostitutas, e que acreditava que ele já havia matado antes. Yi Tien Cho avisa a Claire para ela ir embora, pois o “Homem santo gostar de mulheres, não com pau. Com faca”. Claire então aponta a pistola que portava para Campbell, pois percebeu que ele era “o demônio” que assassinava mulheres em Edimburgo (mais uma linha da história dos livros que foi excluída da série). Para se defender, Campbell afirmou que o sr. Willoughby havia traído Jamie para Sir Percival Turner, e assim Claire fica confusa. Com essa distração, o reverendo pula para cima de Claire que acaba atirando, mas não o atinge, ele então saca uma faca, mas o sr. Willoughby o ataca e o mata. Como na série, a trama do “demônio” não existia, achei a morte do reverendo muito “gratuita”. Ele podia ser um homem mesquinho e abusivo com a irmã, mas ele não era um assassino. Ele morre também pelas mãos do sr.Willloughby como forma de proteger Margaret de uma surra. Posso ter achado um pouco gratuita a morte na série, pois sem o lado assassino, Campbell aparentava ser menos cretino, mas a satisfação de ver o crápula abusivo morrer esteve presente durante a cena. No livro, Willoughby admite que havia traído Jamie pois estava bêbado. E afirma que Jamie não deve matá-lo, pois ele salvou a vida de Claire, então parte. Esse é outro enredo que não existe na série. Diana escreve muitas tramas além da principal, e a produção resolveu seguir apenas o essencial para contar a história de Jamie e Claire nesse fim de temporada. Acabaram criando também um final para o sr. Willoughby bem mais nobre que o original. Excluindo a história da traição, fazendo-o ser parte de uma história de amor com Margaret, e ainda matando Campbell para protegê-la. Após o incidente, Claire sai a procura de Geillis em seu gabinete e encontra uma fotografia de Brianna chamuscada:


“Deve ser magia – ou a versão de Geillie de magia. Tentei freneticamente lembrar-me de nossa conversa nesse aposento; o que ela dissera? Ela mostrara-se curiosa sobre o modo como eu viajara pelas pedras – esse era o ponto principal. E o que eu disse? Apenas algo vago, sobre fixar minha atenção em uma pessoa – sim, era isso - , eu disse que fixara minha atenção em uma pessoa específica que vivia no tempo para o qual eu queria ser atraída.

(...) ‘Uma das profecias do adivinho Brahan’, ele dissera, ‘Referentes aos Fraser de Lovat.’ ‘O governante da Escócia virá desta linhagem.’ Mas, graças às pesquisas de Roger Wakefield, eu sabia – o que Geillis provavelmente também sabia, obcecada como era pela história escocesa – que a linha direta dos Lovat fracassara nos anos 1800. Quer dizer, para todos os propósitos e intenções visíveis. Houve, de fato, um sobrevivente daquela linhagem vivendo em 1968 – Brianna.”



No episódio, Claire encontra a foto chamuscada de Brianna junto com Geillis em Abandawe, quando ela se prepara para viajar no tempo novamente a fim de matar o “bebê de 200 anos” que era como se referia a profecia da série.


Voltando ao livro, ao sair da casa em busca de Jamie, Claire escuta uma cantoria e acaba sendo atacada por um crocodilo, mas é salva pelos negros liderados por Ishmael que estavam por perto. Mais uma trama paralela que não foi colocada na série. Eu acredito que a cabeça de crocodilo que um dos negros usava no ritual nas telas tenha sido uma referência a esse trecho do livro, uma vez que depois de matar o crocodilo, Ishamel usa a carcaça da cabeça dele como um chapéu. Os homens levaram uma Claire não muito consciente para uma cabana próxima a uma fogueira. Ishmael vai falar com ela. Conta que a patroa saiu e deve ter levado o menino com ela, pois Geillis “gosta de garotos”. Enquanto, eles conversam Margaret Campbell aparece. Margaret, Ishmael e Claire se aproximam da fogueira, onde um ritual com o resto do crocodilo será realizado. A cena no episódio em que um dos negros bebe sangue de um galo/galinha (não sei o que era na imagem) também acredito ser uma referência ao ritual do livro, só que neste é Margaret quem mata uma galinha e bebe seu sangue em uma xícara junto com seu chá. Após beberem algum tipo de alucinógeno, Margaret passa a utilizar seus talentos como vidente com os negros.

“Ouvindo, eu senti os cabelos de minha nuca ficarem em pé e compreendi pela primeira vez o que trouxera Ishmael de volta a este lugar, arriscando-se a recapturado e escravizado outra vez. Não era amizade, nem amor, nem qualquer lealdade a seus companheiros escravos, mas poder.


Qual o preço do poder de predizer o futuro? Qualquer preço, foi a resposta que eu vi, olhando os rostos enlevados da congregação. Ele voltara por Margaret.”

Enquanto Claire observa Margaret contar o futuro das pessoas, ela vê Jamie escondido. Ela pensa em escapar para ele, mas é quando Margaret passa a incorporar Brianna. Parte desse diálogo foi reproduzido no episódio. Ishmael conta a Jamie que a senhora Abernathy havia ido com Ian para Abandawe (no episódio, Margaret fala o nome da caverna logo após incorporar Brianna, o que, depois de saber sobre a profecia e a foto perdida, faz Claire ter uma epifania que essa caverna sagrada deve ser o local de passagem no tempo e lá que Geillis e Ian devem estar). Ishmael pergunta a Claire se ela ainda sangra (menstrua) e ela diz que sim. Ela fala então que se ela ainda sangra, ela mata a magia, apenas as idosas podem realizar mágica, por isso ele afirma que a magia que Claire não pode fazer, a magia que Geillis faz, que a tal magia pode matar tanto a própria Geillis quanto Claire. Continua dizendo que se eles seguirem atrás do rapaz, eles irão morrer. Quanto a esta parte há uma citação semelhante no episódio. No fim do capítulo, Jamie e Claire se preparam para ir a Abandawe, mas uma fazenda próxima começa a pegar fogo. Jamie vê Margaret, e ela o reconhece como um dos amigos de Ewan, seu falecido namorado. O incêndio, na verdade, havia sido uma distração arranjada pelos homens de Jamie, que acabou servindo também para facilitar uma fuga dos escravos.


No episódio, a procura por jovem Ian segue um caminho diferente, após estarem novamente juntos, Claire informa a Jamie que viu Ian sendo carregado na direção dos batuques. Eles seguem o barulho e encontram uma cerimônia dos nativos, que faz Claire lembrar a dança das druidisas presenciada no primeiro episódio da primeira temporada (e em A viajante do tempo). Eles encontram o sr. Willoughby que estava acompanhando Margaret por quem havia se apaixonado, enquanto ela compartilhava seus dons com a tribo nativa. Os Frasers perguntam ao chinês se ele havia visto Ian, mas ele não tinha nenhuma informação. Assim, Claire segue para procurar Margaret, pois talvez ela pudesse saber algo sobre o paradeiro de jovem Ian. Margaret tem visões do passado do casal, e incorpora um pedido de socorro de Brianna. Campbell aparece, tenta levar Margaret embora, e acaba contando sobre a profecia de um bebê de 200 anos que deve morrer para o monarca escocês surgir. É quando Claire percebe que Geillis levou uma das fotos de Brianna e que ela deve ter ido atrás de sua filha, e os Frasers partem desesperados para Abandawe.


No capítulo 62 (Abandawe), Jamie combina com John para roubar o barco do governador com o intuito de resgatar Ian, o que Jamie não conta ao amigo. John só sabe que Jamie precisa do barco, confiando cegamente na súplica do escocês. Na embarcação, partiram Jamie, Claire, Stern e os contrabandistas, mas ao chegarem ao local onde deveriam partir a pé apenas os três primeiros seguiram viagem. Ao encontrarem Abandawe, Claire vê um círculo de pedras, Stern comenta que ele havia sido erguido por aborígenes. No episódio, os menires, apesar de existirem, foram substituídos como forma de passagem por um pequeno lago. Apenas Jamie e Claire entraram na caverna, uma vez que Jamie não permitiu que Stern os seguisse. Jamie comenta que se algo for acontecer com um dos dois, tem que ser com ele, porque Claire é capaz de seguir Geillis através das pedras e impedir quaisquer planos que ela tenha. Algo semelhante é dito no episódio, quando Jamie fala que se algo acontecer a ele, Claire deve seguir Geillis, pois eles já perderam Faith, não poderiam perder Brianna também (essa frase derreteu meu coração, adoro que na série eles colocam vários lembretes sobre a importância de Faith na vida do casal. Infelizmente, ela não é tão lembrada assim através dos livros. Talvez para os personagens criados por Diana fosse mais difícil falar sobre o bebê perdido). No capítulo, após o aviso dado por Jamie, ele complementa com “- Então me beije, Claire – ele sussurrou. – E saiba que você é mais para mim do que a própria vida e que não me arrependo de nada.” citação que foi cortada do episódio. Adentrando a caverna, eles encontram Geillis preparando o ritual para a travessia, e Ian, amarrado, próximo a um machado. No episódio, Geillis prepara-se para por fogo no jovem Ian para matá-lo em sacrifício, assim como fez com seu marido em 1968. Ademais, como no livro, Geillis também comenta que só vai poupar Jamie por Claire gostar dele; mas exclusivamente no capítulo, Geillis fala que Jamie estava muito parecido com Dougal.



“- Não faça isso, Geilie – eu disse, sabendo que palavras não iriam resolver nada.


- Eu tenho que fazer – ela disse calmamente. – Sou destinada a fazê-lo. Lamento ter que levar a garota, mas eu lhe deixarei o homem.


- Que garota? – Os punhos de Jamie estavam cerrados com força ao lado do corpo, os nós dos dedos brancos mesmo à luz turva da tocha.


-Brianna? É esse o nome dela, não é? – Sacudiu os cabelos pesados para trás, afastando-os do rosto. – A última da linhagem Lovat. – Sorriu para mim. – Que sorte você ter vindo me ver, hein? Se não fosse por isso, eu jamais ficaria sabendo. Eu pensava que todos tinham morrido antes de 1900.”

Com essa afirmação de Geillis, Jamie tenta partir para cima dela, mas ela atira nele. Com Jamie caído no chão e ferido, cabe a Claire tentar salvar jovem Ian. Em Eye of the storm, Hércules está presente e luta com Jamie para impedi-lo de chegar perto da patroa. Quando Claire tenta conversar com ela, Geillis afirma que Claire lhe deve uma vida por ter salvado a amiga de queimar na pira como bruxa, e que ambas devem sacrificar seus filhos pela causa. Para impedir Geillis de realizar a viagem e matar jovem Ian e como consequência Brianna, Claire pega um facão e corta a garganta dela. No livro, Geillis percebe as intenções de Claire e tenta atirar nela antes que a mulher chegue até ela, mas falha, permitindo assim que Claire alcance o machado, e a matasse. Depois disso, Jamie acorda, e segue com Claire e Ian para fora, pois pelo vento já conseguia perceber que uma tempestade se aproximava. No episódio, quando Claire mata Geillis, ela parte com o marido e o sobrinho, mas ainda não há o prelúdio da tempestade – e Jamie também não está ferido.



Ao sair da caverna, encontram com Stern, montam acampamento, a tempestade passa, e Claire cuida do ferimento na cabeça de Jamie. Nada disso ocorreu no episódio, onde os personagens partem da caverna direto para o navio. Mais tarde, Ian conta sobre o que havia acontecido com ele. O menino havia sido mantido com outros rapazes dentro da embarcação pirata. Quando chegaram à mansão da rosa, eles só mudaram de prisão. De tempos em tempos, a senhora Abernathy aparecia e levava um dos garotos, que nunca retornava. Um das noites, levaram Ian, quando ele entrou no cômodo onde estava Geillis, ela usava uma camisola e deu um líquido para Ian beber e fez perguntas sobre a vida e família de Ian e se ele era virgem. Quando Ian contou a Geillis que ele já havia se deitado com uma mulher, ela ficou revoltada (na série, há uma cena em The Bakra que Geillis descobre que Ian é virgem, mas ela só diz que, assim ele saberá o que fazer). No livro, depois das perguntas, Geillis abusa sexualmente do jovem Ian, enquanto Hércules ou Atlas assistia. Em The Bakra, como essa cena não aparece, os telespectadores não sabem o que realmente ocorreu entre eles. Em Eye of the storm, Jamie fala a Claire que Ian vai voltar para Lallybroch e para a mãe no primeiro navio com destino para Escócia, e Claire lhe lembra de que o rapaz pode não querer ficar em Lallybroch após toda essa aventura, o que é uma conversa retirada deste capítulo.


Seguindo a ordem cronológica do episódio neste ponto, tenho que retornar ao capítulo 52 (Um casamento é realizado), de onde foi extraída a conversa romântica entre Claire e Jamie, que em Eye of the storm foi introduzida em um diálogo dentro do navio que os levava da Jamaica. No capítulo, eles estavam na cabine do Artemis, atracados, antes do casamento de Fergus e Marsali. O diálogo que ocorre aí sobre o que Jamie planeja fazer com Claire quando tiverem espaço foi majoritariamente copiado e colocado na cena antes da tempestade no episódio.



No capítulo 62 (Nas profundezas), quando eles estão em alto mar, o Porpoise volta a persegui-los, o que não ocorre em Eye of the storm. A tempestade, no livro, ocorre um tempo depois de deflagrada a perseguição do porpoise, o que foi dito ser uma sorte, pois resultou na diminuição da velocidade do navio de guerra britânico. A tempestade findou por afundar o Porpoise (bem feito, quem mandou querer prejudicar os Frasers). Durante a tempestade é que Claire faz a associação entre o crânio que Joe Abernathy analisou em 1968 e a morte de Geillis Duncan, o que no episódio, acontece quando ela ainda estava em terra firme. A tempestade passou e cinco dias depois eles encontraram local para atracar e é aí que Claire é jogada ao mar quando o mastro principal se parte, meio amarrada na vela, e Jamie pula para salvá-la. No episódio, ela é lançada ao oceano ainda durante a tempestade. A fala de Jamie de que se ela morrer, ele irá matá-la foi extraída deste capítulo.


“Eu estava morta. Tudo ao meu redor era de um branco ofuscante e havia um ruído suave, sussurrante, como o de asas de anjos. Senti-me em paz e sem corpo, livre do terror, livre da raiva, repleta de um tranquilo contentamento. Então tossi.”

A narração de Claire no início do episódio e que se repete ao final também foi adaptada deste capítulo. Claire acorda, no livro, já deitada em uma cama, com a perna quebrada, enquanto em Eye of the Storm, ela e Jamie retomam a consciência praticamente juntos na praia e aparentemente ela está sem ferimentos. Jamie conta a Claire que o navio havia ancorado no mesmo local em que eles estavam só que mais distante. Jamie comenta que havia perdido os retratos dos filhos quando pulou no mar, mas conseguiu salvar as pedras preciosas de Geillis. A senhora Olivier, a dona da casa em que estavam, adentra o quarto, eles perguntam a ela onde estão e a jovem responde que na colônia da Geórgia.


“- América – eu disse a meia-voz. – O Novo Mundo. – A pulsação sob meus dedos acelarara-se, reproduzindo a minha própria. Um mundo novo. Refúgio. Liberdade.”

Eye of the storm foi uma versão bastante simplificada dos capítulos finais de O Resgate no mar, mas eu acredito que cumpriu seu propósito. Foi um episódio que resolveu os conflitos principais restantes, mesmo que alguns de forma divergente do livro, e nos envolveu na força do relacionamento entre Jamie e Claire. A fotografia do final ficou primorosa. O modo como focaram a câmera em movimento me fez preferir o final na praia ao na casa dos Oliviers. Foi uma temporada com seus altos e baixos, mas no geral, achei que ela carregou várias melhorias em relação à temporada anterior. Foi mais dinâmica (o que é uma característica do próprio livro que a originou) e mais romântica (não tanto quanto queríamos, mas é um começo). Com esse episódio, despedimo-nos, por um tempo, não apenas de Jamie, Claire, Fergus, Ian, Marsali e tantos outros, mas de um personagem que nos tem iluminado e arrepiado durante as três temporadas: a Escócia. Não completamente. A cultura, a identidade e o patriotismo estarão presentes ainda nos highlanders que acompanharemos, mas a terra será deixada para trás por um longo período. Muito dos leitores e telespectadores, acredito que como eu, apaixonaram-se não apenas pelo amor impossível de Jamie e Claire, uma inglesa do século XX e um highlander do século XVIII, mas pela história dessa nação.



Saudade. “Sentimento melancólico devido ao afastamento de uma pessoa, uma coisa ou um lugar, ou à ausência de experiências prazerosas já vividas”. Mais uma vez durante a temporada voltamos a falar sobre ela. Mais uma vez nossa herança linguística nos abraça para expressar essa história. Conhecemos a força que o povo escocês carrega, a sua luta pela sobrevivência, o orgulho de sua identidade e o esforço para mantê-la. A cultura e povo escocês não mereciam sofrer com o apagamento e aniquilamento imposto pelos ingleses.


Escócia. Saudade. Nossa e dos Frasers. América. Esperança. Recomeço. E nesse jogo de palavras únicas, o tema do livro surge novamente: identidade. Jamie, escocês, pai, líder, prisioneiro, amigo, contrabandista, tipográfico, tio, irmão, Alexander Mackenzie, Alexander Malcolm, James Roy, James Fraser, marido de Claire. Claire, inglesa, curandeira, cirurgiã, mãe, viajante, Claire Beauchamp, Claire Randall, Claire Malcolm, Claire Fraser, esposa de Jamie. Os dois, solitários por vinte anos, agora conseguem reconstruir sua identidade como casal. Unidos em um mesmo tempo e em uma mesma terra. Chegou a hora dos Frasers dominarem a América.



Com o final da temporada, gostaria de agradecer a todos e todas que acompanharam as resenhas, quer seja de forma silenciosa, quer seja comentando. Foi um prazer fazer essa viagem com vocês. Nos encontramos novamente nos tambores do outono ;)



Por Tuísa Sampaio
08 dezembro 2017

Livro x Série de TV- Episódio 12: The Bakra

Contém spoilers do episódio e dos livros

Episódio 12: The Bakra

O penúltimo episódio desta temporada mexeu um pouco com a ordem dos capítulos de O Resgate no mar. Ele retornou a parte do conteúdo dos capítulos 53 (Guano de morcego) e 54 (Pirata impetuoso). Também utilizou trechos dos capítulos 57 (A terra prometida), 58 (A máscara da morte vermelha) e 59 (Quando há grandes revelações).



“The Bakra” foi um episódio que trouxe grandes divergências em relação ao material original. A começar pelo título. A expressão “Bakra” não existe no romance. Por curiosidade, pesquisei o significado da palavra e descobri que era um modo caribenho de chamar pessoas brancas, especialmente as que provinham da Grã-Bretanha ou a um "mestre de escravos" (no vídeo do "Inside the world", Toni Graphia comenta que significa "chefe", mas não encontrei esse significado em nenhuma fonte, ou talvez simplesmente "chefe" seja uma interpretação para "mestre de escravos"). O episódio retrocede um pouco no tempo para mostrar o que havia acontecido com jovem Ian assim que ele havia sido sequestrado. Os piratas que o pegaram, queriam a caixa de jóias que ele carregava a pedido da Bakra, que mais à frente descobrimos ser Geillis Duncan, ou como é chamada agora, Geillis Abernathy (tenho uma enorme curiosidade para saber se o nome tem alguma relação com Joe, mas até hoje continuo com a pulga atrás na orelha com isso). Como a Bakra também gostava de “novinhos”, ele foi levado como um agrado para ela.



No capítulo 57, quando Jamie e Claire atracam em Kingston, Jamaica, eles percebem que o Porpoise também está chegando lá. Claire explica a Jamie que o capitão Leonard tinha que ir para Kingston em vez da Antígua onde está o alojamento da marinha, porque trazia o novo governador da Jamaica. Ao ouvir o nome Grey, Jamie já imagina quem seja e comunica a Claire que conhece o tal governador. No episódio, Jamie só tem consciência da presença do capitão Leonard na festa do governador, assim como só descobre quem seja ele quando o vê na celebração, uma vez que na série de TV, o porpoise não transportava Lorde John.

Fazendo um pequeno salto na história, vou passar direto para o contexto do mercado de escravos que havia ocorrido no capítulo 53. No episódio, após chegarem a Kingston, os Frasers vão procurar jovem Ian no mercado de escravos. Lá um dos amigos escoceses de Jamie entrega uma sombrinha a Claire para ela parecer uma mulher respeitável; no livro, é Murphy quem faz isso. A cena da escrava sendo marcada a ferros quentes também está presente no capítulo, assim como o leilão de Temeraire, onde Jamie adquire para Claire o escravo após ela ter agredido o leiloeiro com a sombrinha a fim de impedi-lo de masturbar o homem na frente de uma audiência. A diferença é que Temeraire no livro não tinha parte do braço, na versão adaptada eles mantiveram o membro completo, mas o fizeram mancar. Jamie e os companheiros tentam apartar a confusão em que Claire se meteu, e ela pede para que o marido faça alguma coisa. Então ele fez a única coisa que poderia: comprou o escravo. No livro, o mercado não era na Jamaica, mas sim em Bridgetown (Barbados), e foi uma parada onde o Artemis recolheu guano de morcego para vender ao Sr. Grey. Assim, após Claire ter “adquirido” Temeraire, e a tripulação ter colocado a mercadoria dentro do navio, eles zarparam rumo à Jamaica. Em Barbados, Jamie havia conversado com um colega maçom e havia descoberto que alguns meninos haviam sido comprados por ele advindos do “Bruja” e dois deles pertenciam anteriormente a uma sra. Abernathy da mansão rosa, na Jamaica. Um pouco antes de levantarem âncora, eles sentiram o cheiro dos corpos de escravos que haviam sido queimados por não terem sobrevivido à viagem e foram procurar pelo de jovem Ian, que não estava lá, cena que foi cortada do episódio. É no capítulo seguinte então que o navio é invadido por piratas, e Claire sofre um golpe no braço. Como visto no episódio anterior, Claire corta o braço correndo em busca de Jamie na ilha e não há ataque pirata na série de TV. Sem saber o que fazer com o escravo adquirido, quando desembarcam em Kingston, Ishmael, homem negro que estava no navio pirata e que havia sido capturado pelo Artemis (trama que não aparece na série de tv) pede aos Fraser que Temeraire vá embora com ele. Jamie pergunta a Temeraire se ele quer ir com Ishmael. Eles partem juntos então. Lawrance acredita que os dois homens estão indo viver com os maroons. Em “The Bakra”, após Temeraire ter feito perguntas para tentar ajudar a encontrar Ian aos escravos, Jamie e Claire concedem a ele sua liberdade, já sabendo ele qual caminho seguir na ilha para viver em paz.


No episódio, o convite para a festa do governador surge através de Kenneth MacIver, um empregado de Jared que veio receber o carregamento de bebidas. A ele, Jamie também contou a história de Ian e pediu ajuda para procurá-lo, e foi o próprio MacIver quem sugeriu que Jamie procurasse Ian no mercado de escravos de Kingston. A cena do mercado acaba sendo bem semelhante à descrita no livro na medida em que é contada sob o ponto de vista de Claire. O que Jamie estava fazendo é que foi um pouco modificado, já que o colocaram inquirindo diversos vendedores de escravos e isso não aparece no livro. MacIver oferece hospedagem em sua casa aos Frasers, mas eles preferem ficar em uma hospedaria porque acreditam que facilitaria a busca por jovem Ian. No livro, eles ficam alojados na fazenda de Jared em Sugar Bay (Barbados) chamada Casa da Montanha Azul (e nesse momento, eu tenho que admitir que me perdi no livro porque eu não entendo o que eles estão fazendo em Barbados em vez da Jamaica. Claire depois comenta que a Casa da Montanha Azul fica a dezesseis quilômetros de Kingston por terra. Então eu acredito que a menção a Sugar Bay deve ter sido um engano da autora. De qualquer forma, na série televisiva, eles estão em Kingston). Há uma indicação de cena de sexo entre Jamie e Claire com um diálogo bem divertido enquanto estão hospedados na casa de Jared que não entrou na série. Durante um jantar Jamie pergunta se os MacIver conhecem uma senhora Abernathy, a sra. MacIver lembra-se dela porque o ministro que estava na ilha, Archie Campbell, havia perguntado sobre ela. Claire comenta então que conheceu o ministro em Edimburgo. A sra. MacIver conta a Claire ainda que logo no dia seguinte a irmã do reverendo desapareceu e começou um tumulto, fazendo com que Archie não tivesse tempo de ir procurar pela senhora Abernathy. Comenta-se, então, que foi sugerido ao reverendo pedir ajuda ao governador em uma recepção para dar boas-vindas a ele em que todos os habitantes estão convidados, mas Archie disse que era uma ocasião festiva demais para que ele atrapalhe. Quando sabe sobre a festa na mansão do governador, Jamie logo sugere a Claire que eles compareçam para que possam perguntar sobre jovem Ian. No episódio, de início eles recusam o convite feito por Kenneth para ir à recepção, e decidem participar apenas quando Jamie descobre que o governador havia comprado os escravos do “Bruja”.


Assim como no episódio, Jamie usa uma peruca no capítulo 58, quando se prepara para a festa a fim de disfarçar os cabelos ruivos. Claire comenta que ele está parecendo uma gárgula, a isso Fergus responde que Jamie parece um francês. Jamie então responde que são mais ou menos a mesma coisa e pede desculpas a Fergus. No episódio, parte desse diálogo foi adaptada para a cena da chegada dos Frasers à festa. No livro, o vestido de Claire era de seda violeta por sugestão de Jamie; e Marsali usava um vestido cor de rosa. Elas haviam mandado fazer o vestido na ilha; no episódio, elas usaram uns vestidos da época de Claire em Paris que Marsali havia reformado. Jamie oferece um broche de coral negro para Claire usar em uma fita ao redor do pescoço; em “The bakra”, Claire comenta com Geillis sobre o coral negro que ela carrega junto com um colar de pérolas no pescoço como sendo presente de Jamie. Quando chegam à recepção, os Frasers entram na fila para falar com o governador, o qual enquanto no livro, Jamie já sabe se tratar de John Grey; no episódio, isso acaba sendo uma grata surpresa. Eles conversam um pouco com Lorde John e seguem para a festa. Em “The bakra”, os frasers e John vão para seu escritório onde podem conversar em particular. Algumas mulheres se interessam pelo sr. Willoughby, e Jamie o apresenta de forma semelhante a do episódio. Depois de andar um pouco pela festa e conversar, Claire finda por encontrar Archibald Campbell. De imediato, ela menciona que sente muito pelo desaparecimento da irmã dele, o que no episódio não havia ocorrido. Ele afirma então que veio a festa pedir ajuda do governador. Durante a conversa deles, o reverendo parece estar convencido por algum motivo que o nome do homem que seduziu Margaret quando ela era mais jovem era James Fraser. Como na série, a “doença” de Margaret era de nascença, a trama do namorado e do estupro pós-culloden não existiu. Após esse diálogo, Claire vê Jamie entrando no que ela acredita seja o escritório do governador e o segue. Ela encontra os dois em um abraço, e Jamie emocionado. Claire percebe então a expressão de desejo de Lorde John para Jamie. No episódio, eu acredito que ela tenha sentido um clima estranho, mas não ficou claro se ela percebeu o desejo. Ela fica abalada com o que vê e se afasta um pouco para logo em seguida ver o governador saindo do recinto, e depois Jamie. Claire foi para a sala de repouso tentar se acalmar, mas quando lá adentra, ela encontra o corpo de Mina Alcott com a garganta cortada. Algumas mulheres entraram na sala pouco tempo depois e começaram a gritar com a cena. A trama do assassinato foi excluída da série de TV. Também não acredito que teria sido de muita relevância colocá-la na adaptação.


No capítulo 59, Claire descobre que Jamie havia sido levado para algum lugar, enquanto ela foi levada para a sala particular do governador juntamente com Marsali para tentar se acalmar. Ela comenta que Jamie foi levado porque as pessoas acham que o sr. Willoughby tinha algo a ver com o assassinato, e foi Jamie quem o havia trazido para a festa. Um tempo depois Fergus aparece para levar Marsali e Claire embora, mas Claire prefere ficar e esperar Jamie. Em seguida, Lorde John surge e traz notícias de Jamie, afirmando que ele estava ainda sendo interrogado. Começa então um diálogo cheio de troca de faíscas entre eles. Claire olha os oficiais e entre eles reconhece o capitão Thomas Leonard, pede então ajuda a Lorde John para que ela possa se esconder. Ela finge está desmaiada e coloca uma toalha em sua cara. John fala a Thomas que a senhora havia desmaiado do choque. Quando o capitão parte, John conta a Claire sobre Willie e mostra a ela a cópia do retrato do menino que ele havia dado mais cedo a Jamie. Claire, que não sabia ainda da existência desse filho de Jamie, se surpreende. Lorde John conta então a história de como ele virou padrasto de Willie, da conversa que eles tiveram antes de ele casar com Isobel, sobre os cuidados com o menino, o beijo, sobre Geneva, como conheceu Jamie e como ele foi parar em Helwater. Fala para ela também sobre ter sido ele o menino inglês que havia protegido a virtude dela, o que na série ele menciona, e ela já havia se recordado antes de ele dizer. Infelizmente a conversa principal foi cortada da série. No episódio, Jamie pergunta sobre Willie, e para Claire isso não é uma surpresa. Um pouco mais à frente no capítulo, quando Jamie retorna, ele conta a ela sobre William. Essa é uma modificação que eu achei péssima na série. No episódio, John e Claire tem um estranhamento, mas não é nem de perto essa relação inicial de ciúmes e faíscas que com o tempo passa a ser uma complexa dinâmica de admiração, respeito, medo e incômodo. São dois personagens que vão ter um relacionamento multifacetado e extremamente interessante e que a produção ignorou o seu início. Espero que de alguma forma eles deem mais valor ao personagem e consigam aproximar mais a relação entre John e Claire no futuro. O fato de terem cortado o lindo diálogo que Jamie tem com Claire sobre Willie, Geneva e Laoghaire também não me agradou:



“—Você devia ter confiado em mim — eu disse por fim. Ele assentiu, devagar, depois abriu os olhos, ainda segurando minha mão.

– Talvez - ele disse serenamente. - E ainda assim não paro de pensar... Como eu poderia lhe contar tudo, sobre Geneva, sobre Willie e John... Sabe a respeito de John? — Ele franziu ligeiramente a testa, mas relaxou quando balancei a cabeça.

—Ele me contou tudo. A respeito de tudo. – Suas sobrancelhas se ergueram, mas ele continuou.

—Especialmente depois que você descobriu sobre Laoghaire. Como eu poderia lhe contar e esperar que você soubesse a diferença?

—Que diferença?

— Geneva, a mãe de Willie, ela queria meu corpo —ele disse brandamente. —Laoghaire, precisava do meu nome e do trabalho de minhas mãos para se manter e manter as filhas. – Então virou a cabeça, os olhos azul-escuros fixos nos meus. - John... bem. —Ergueu os ombros e deixou-os cair. —Eu nunca pude lhe dar o que ele queria... e ele foi amigo suficiente para não pedir. Mas como eu posso lhe dizer tudo isso – ele disse, a linha de sua boca torcendo-se. - E depois dizer-lhe que você é a única pessoa que eu já amei? Como você iria acreditar em mim?

A pergunta ficou pairando no ar entre nós dois, tremeluzindo com o reflexo da água embaixo.

—Se você disser, eu acreditarei em você.
—Acreditará? – ele pareceu ligeiramente espantado. - Por quê?

—Porque você é um homem honesto, Jamie Fraser —eu disse, sorrindo para não chorar. —E que Deus tenha piedade de você por isso.

—Só você —ele disse, tão baixinho que mal podia ouvi-lo. —Adorá-la com meu corpo, dar-lhe todo o serviço das minhas mãos. Dar-lhe meu nome e todo meu coração e minha alma também. Só você. Porque não me deixará mentir... e assim mesmo você me ama.
Eu o toquei.

- Jamie. – eu disse ternamente, colocando a mão em seu braço. – Você não está mais sozinho.

Ele voltou-se, então, e segurou-me pelos braços, perscrutando meu rosto. —Eu jurei a você – ele disse. - Quando nos casamos. Na ocasião, eu não sabia todo o significado, mas eu jurei... e agora eu sei. – Virei a mão dele sobre as minhas, sentindo a pele fina, lisa, na base de seus pulsos, onde o sangue pulsava sob meus dedos, onde a lâmina de sua adaga cortara sua carne um dia e derramara seu sangue para misturar-se ao meu para sempre.
Pressionei meu próprio pulso contra o dele, pulsação contra pulsação, batimento contra batimento.
- Sangue de meu sangue ... — eu murmurei.

—Osso dos meus ossos. — Sua voz era grave e rouca. Ele ajoelhou-se subitamente diante de mim e colocou as mãos entrelaçadas dentro das minhas; o gesto de um escocês das highlands ao jurar lealdade ao seu líder. – Eu lhe dou meu espírito —ele disse, a cabeça inclinada sobre nossas mãos.

—Até o fim de nossas vidas — eu disse suavemente. —Mas nossas vidas ainda não chegaram ao fim, Jamie.

Então ele se levantou e tirou minha camisola. Eu me deitei nua na cama estreita, puxei-o para mim através da suave luz amarela e o trouxe para casa, para casa outra vez, e nenhum de nós dois ficou sozinho.”


Por que, produção, cortar essa cena? Mais uma consequência de falar sobre Willie no reencontro em vez de na Jamaica.

Outra grande divergência do livro em relação ao episódio foi quanto à profecia Fraser. No livro, ela é mencionada mais a frente, no capítulo 61, mas não considerei ainda como capítulo adaptado, porque acredito que a cena em que Claire descobre sobre ela ainda virá. As cenas em que Geillis aparece na festa foram criadas para o episódio, uma vez que no material original ela não está presente na recepção. Também ela conta para Claire como sobreviveu à pira, mas não agora. A profecia refere-se a um último herdeiro da linhagem Fraser de Lovat subindo ao trono da Escócia. Na série, eles modificaram para que quando uma criança que nasceu dois séculos depois de sua concepção morrer, o novo rei escocês surgirá. Também não há toda aquela baboseira sobre as safiras, uma vez que a profecia já existe e não era necessário que uma vidente segurasse nada para ver o futuro. O capítulo seguinte começa com a ida de Jamie e Claire à Mansão de Geillis. Como esse episódio acaba com Jamie sendo preso, e ele mandando Claire em busca de jovem Ian que eles acreditam esteja com Geillis, entendi que o conteúdo adaptado do episódio acaba por aqui.


Meus sentimentos quanto a este episódio foram confusos. Toda a trama de Geillis poderia ter sido apresentada só quando eles chegassem à mansão rosa como é no livro, dando mais espaço para o encontro entre Claire, Jamie e Lorde John.  Achei toda essa busca pela safira para escutar uma profecia um encaixe muito fraco. A mudança em relação à profecia é algo que não consigo imaginar as consequências para as últimas temporadas. Modificar uma profecia que não foi completamente desvendada nos livros e que ainda terá repercussão nesse material é extremamente arriscado, e considerando o fato também que ela pode fazer uma diferença em como tudo termina. Não consigo entender qual caminho eles quiseram seguir com isso. Em compensação, gostei muito da cena do mercado de escravos. Muito fidedigna ao livro, me contorceu o estômago, como deveria. Imaginar que a escravidão era algo aceitável e comum há tão pouco tempo é triste, ainda mais, quando nos dias atuais existe escravidão velada, e a população negra continua sofrendo com as consequências socialmente estruturais que nunca foram efetivamente corrigidas. Quando um dos mercadores afirmou que não vendia homens, mas selvagens, tive um calafrio. Me senti um pouco como Claire perdida naquele antro de horror, sem nada poder fazer, e com uma enorme decepção em ser parte da raça humana. O season finale se aproxima e com ele muito ainda para ser desvendado e a expectativa está grande para descobrir como o fim do livro vai ser adaptado para as telas. Estou curiosa para saber como vão livrar Jamie da prisão e como o próximo encontro entre Geillis e Claire será retratado na série. Até o próximo episódio ;)

Por Tuísa Sampaio
01 dezembro 2017

Livro x Série de TV- Episódio 11: Uncharted


Contém Spoilers dos livros e do episódio

Episódio 11: Uncharted

Esta semana Jamie e Claire desembarcaram na ilha de Santo Domingos. Tão perto e ainda assim, distantes, um não tinha consciência do paradeiro do outro. Parte do episódio seguiu com Claire. Linearmente, encontramos Jamie na segunda parte, para no final, aproveitarmos os dois novamente unidos. “Uncharted” adaptou trechos dos capítulos 50 (Conheço um padre), 52 (Um casamento é realizado) e 56 (Sopa de tartaruga) de “O Resgate no mar”.


- Parte I: Claire


Os primeiros dezesseis enfadonhos minutos do episódio retrataram a jornada de Claire em busca de civilização. Nada muito diferente em termos do ritmo do início do capítulo cinquenta. Apesar de eu achar que eles poderiam ter resumido em uns cinco minutos esse momento em que Claire estava perdida, é possível compreender que a sensação de cansaço deveria ser transmitida também para o leitor/telespectador através da duração da situação. Nós também deveríamos sentir a frustração de Claire. No capítulo cinquenta, Claire descreve a paisagem como estando em um mangue, o que eu não vi no episódio, mas isso é bem irrelevante. Ela também teve/acha que teve alucinações com peixes, o que foi cortado. Após uma tempestade, ela encontra um homem chamado Lawrance Stern, que lhe fornece água e ajuda. A trama de Lawrance Stern, um judeu naturalista que já conhecia Jamie da Escócia, foi retirada do episódio também. Quando Claire informa a ele que precisa chegar à Jamaica, Lawrence a leva até a casa de seu amigo, Padre Fogden, para que ela tivesse acesso à roupa e comida. Em “Uncharted”, quem encontra Claire é o cachorro de Padre Fogden, Ludo. Mamacita a amarra na cama para que ela pare de se coçar das picadas de formiga, o que não ocorre no livro, uma vez que as feridas não aconteceram.


“Podem ter sido a promessa de ajuda, água, as borboletas ou as três coisas juntas, mas o fardo do medo e do cansaço sob o qual eu vinha trabalhando há tanto tempo começou a dispersar. É bem verdade que eu ainda tinha que enfrentar o problema de encontrar transporte para a Jamaica, mas com a sede saciada, um amigo por perto e a possibilidade de almoço diante de mim, isso já não parecia a tarefa impossível que se apresentava no manguezal.”


À primeira vista, Claire julgou Fogden parecido com São Francisco de Assis. Quando eles começam a conversar, o padre acreditava que Claire fosse a senhora Stern, mas o naturalista logo a apresenta como uma colega sua e compatriota de Fogden, o que faz o padre assustar-se com a presença de uma inglesa nessa região. Assim que Claire conhece mamacita, esta já a cumprimenta perguntando quem seria esta p*ta branca. Mamacita e sua delicadeza também estavam presente no episódio.



“Coco” também aparece em O Resgate no mar. No capítulo, padre Fogden explica a Claire, que o coco e Ludo são suas únicas companhias naquela ilha, mas as conversas com ele não são sobre o perigo da viagem de Claire, são coisas mais aleatórias. Fogden também queria que Claire experimentasse um dos vestidos de Ermenegilda, sua amante falecida. Mamacita entra então com os pratos do almoço, os quais são apresentados por Stern como sendo “banana-da-terra frita, misturada com mandioca e feijão vermelho”. No episódio, como Lawrance não está presente, é o próprio padre quem explica a Claire o que é o almoço. Stern também oferece a ela, sangria, o que no episódio não aparece. Após comer, padre Fogden puxa um cachimbo, ao qual Stern pergunta se é haxixe (alucinógeno proveniente da mesma planta da maconha). Antes mesmo do padre responder, ele já começa a perguntar a Claire se ela acha que a maconha tem efeitos digestivos. No episódio, o padre chama a erva de “Yupa”, a qual ele oferece a Claire, mas ela recusa. Após a refeição, Stern, Claire e Fogden começam a traçar um plano para que Claire possa chegar à Jamaica.


“Stern explicou seu plano; após uma noite de sono, pretendíamos caminhar até a vila de St. Luis du Nord e dali ver ver se um barco pesqueiro nos levaria a Cap- Haïtien, a cinquenta quilômetros de distância. Se não, teríamos que ir por terra a Le Cap, o único porto perto.

O padre franziu o cenho, as sobrancelhas ralas unidas, contra fumaça.

- Hum? Bem, imagino que não haja muita escolha, não é? Ainda assim, devem tomar cuidado, particularmente se forem por terra a Le Cap. Maroons, sabe?
-Maroons? – Olhei com ar de interrogação para Stern, que balançou a cabeça, franzindo a testa.

- É verdade. Eu encontrei dois ou três bandos quando vim para o norte pelo vale do Artibonite. Mas eles não me molestaram. Ouso dizer que eu parecia em melhores condições do que eles, pobres coitados. Os maroons são escravos foragidos- ele explicou-me,. – Tendo fugido da crueldade de seus senhores, refugiam-se nas colinas remotas, onde a selva os esconde. (...)”

No episódio, o padre fala como Claire pode chegar à Jamaica, mas fica “enrolando” a sua saída da casa, dizendo que “Coco” afirma ser muito perigoso. No livro, após esse diálogo, Claire pede material para tomar banho; no episódio, mamacita quem avisa que Claire está fedendo e que está na hora de ela lavar-se. Enquanto Fogden prepara a água no livro, ele comenta que não consegue se desfazer dos esqueletos de suas ovelhas que morrem (no episódio, as ovelhas foram substituídas por cabras porque a produção não conseguiu encontrar ovelhas para compor o cenário). Dentre elas está Arabella, aparentemente uma de suas favoritas, que havia sido comida por uns marinheiros na praia. Claire pergunta sobre quando foi o incidente com os marinheiros, e o padre afirma que os havia visto naquele dia pela manhã. Fogden soltou então larvas de besouro que serviam para polir o crânio da ovelha. No episódio, ele solta os besouros já crescidos.




Quando o padre tenta sugerir novamente a mamacita que Claire use os vestidos de Ermenegilda, mamacita afirma que eles são muito pequenos para esta “vaca”. No episódio, ele fala algo semelhante. Claire acaba vestida então em um dos roupões de padre Fogden, mais à frente no episódio, ela volta a usar suas próprias roupas. Em O Resgate no mar, Claire não havia associado que os marinheiros na praia poderiam ser a tripulação do Artemis, então ela continua na casa. Em “Uncharted”, o fato de Fogden ter mencionado um chinês é que faz Claire ter a epifania e sair correndo para a costa em busca do marido. Ainda na casa, Stern conversa com Claire e pergunta se ela conhece um James Fraser de Edimburgo. Ela então afirma que esse é o nome do seu marido. Ele conta, então, como os dois se conheceram na Escócia por meio de um incidente com uma aranha. É Stern quem cita Abandawe para Claire, termo que até agora ao contrário da série em que Margaret Campbell já o havia mencionado, não havia sido citado. Ele fala que Abandawe é uma das cavernas sagradas da ilha. Em “Uncharted”, a tal caverna entra na conversa quando Fogden diz que os besouros que estão limpando a cabeça de Arabela vieram de lá. É Stern quem conta a Claire a história sobre Ermenegilda, como ele foi cortado do episódio, findou que o próprio padre contou. Uma diferença que percebi entre as histórias foi que no episódio Fogden comentou que ela ficou doente logo depois que eles vieram para ilha, enquanto no livro Stern menciona que ela faleceu dois anos após chegarem lá. Stern também comenta que os moradores da vila tem medo do fantasma dela, pois dizem que é o espírito de uma pecadora.


Antes de partirem no dia seguinte para St. Luis du Nord, Claire resolveu fazer algumas perguntas sobre o navio e a tripulação que padre Fogden havia encontrado na costa. O fato de ele mencionar que o líder dos marinheiros usava um gancho foi o que trouxe a epifania no livro, já que nele Fergus usava esse apetrecho em vez de uma prótese. Acompanhada de Stern e Fogden, Claire alcança o Artemis que estava encalhado na praia onde ela encontra Fergus e Murphy, este último apesar de não aparecer na temporada foi citado como morto no episódio juntamente com Raines e Warren. No livro só quem morre dentre eles é o capitão Raines. O Artemis havia passado por uma tempestade (que havia atingido a ilha também) e com isso havia sofrido uma perfuração no casco (no episódio, o mastro é que havia caído) e neste acidente, Raines e mais quatro marinheiros foram lançados ao mar. Quando Claire pergunta sobre Jamie, Fergus responde que achava que Claire estivesse com ele. E assim o paradeiro de Jamie permaneceu um mistério até o capítulo seguinte.


- Parte II: Jamie


O capítulo 51 não foi adaptado para as telas, pois a história de como Jamie e Claire se reencontram foi modificada. No material original, Jamie consegue, de alguma maneira, entrar no Porpoise, onde ele passa a procurar por Claire, porém encontra Harry Tompkins, quem lhe conta que a médica havia pulado no mar e o avisa que Jamie logo irá para o inferno quando chegar a Kingston, golpeando-o em seguida a ponto de deixar Jamie inconsciente. Quando Jamie acorda, ele dá de cara com o capitão Leonard pedindo desculpas pela situação. Jamie empurra Thomas, que cai e bata a cabeça, logo em seguida dá uma surra no capitão, mas acaba sendo golpeado novamente, desmaiando. Quando Jamie acorda, ele está em Cap-Haïten cercado por crianças da ilha de Hispaniola. Com o tempo, Jamie passa a se lembrar de como chegou à ilha. Annekje havia o retirado de sua prisão, explicado que Claire não estava morta, e o jogou no mar, falando que ele deveria se encontrar com ela. As crianças o informam sobre os navios que haviam passado pela ilha, o que inclui o Bruja, e Jamie acaba descobrindo que a embarcação seguira para Bridgetown. E assim, ele sai mais uma vez em busca de sua esposa. No episódio, Jamie estava junto com os outros marujos consertando o navio. Com pressa de encontrar Claire na Jamaica, ele só a reencontra quando ela faz sinal com um espelho, estando todos prontos já para seguir caminho. Ela então lhe conta o que havia acontecido, e que ele era mais uma vez procurado pela Coroa britânica. A cena da reunião deles na praia foi uma das mais bonitas da temporada. A fotografia, a emoção, a trilha sonora, tudo se encaixou, e teve, na verdade, um ar bem mais romântico que a do livro.

- Parte III: Os Frasers

No capítulo 52, quando o navio estava quase pronto, aparecem soldados franceses na praia, e Fergus faz com que Marsali e Claire se escondam no mato. Elas ficam observando o encontro entre Fergus, os marinheiros e os soldados e descobrem que o líder deles era Jamie. Ele estava usando o nome de Capitão Alessandro para comandar os soldados do quartel de Cap-Haïten. Os soldados ajudaram os marujos com o conserto do navio, enquanto isso, Jamie estava parado próximo à mata supervisionando tudo, quando Claire se aproxima dele e ele solta um grito assustado.



“-Claire! – Apertou-me com força contra o peito. Em seguida, agarrou-me pelos ombros e sacudiu-me, com força. – Desgraçada! – ele disse, num sussurro contundente. – Eu tinha certeza que você tinha morrido! Como pôde fazer uma coisa tão tola como se jogar de um navio no meio da noite! Não tem nenhuma noção de perigo?
- Solte-me! – sibilei. O tremor fizera com que eu mordesse o lábio. – Solte-me, já disse! O que quer dizer com eu fazer uma tolice? Seu idiota, o que deu em você para me seguir?
Seu rosto estava queimado do sol; logo um vermelho-escuro começou a escurecê-lo ainda mais, erguendo-se das bordas de sua nova barba.
- O que deu em mim? – ele repetiu. – Você é minha mulher, pelo amor de Deus! É claro que eu iria atrás de você. Por que não esperou por mim? Santo Deus, se eu tivesse tempo, eu...
(...)
Agarrou-me pelos dois braços e beijou-me rápida, mas profundamente.
- Me esqueci. Eu a amo. – ele disse, dando-me outra sacudidela à guisa de ênfase. – Fico feliz que não esteja morta. Não faça isso de novo! – Soltando-me, arremeteu-se de novo pelo meio do mato e desapareceu.”

Jamie havia mandado que seus soldados depois que terminassem de ajudar no conserto do navio, amarrassem a tripulação e os jogassem no porão. Mas ele contou a Fergus para que ele soltasse a informação para a tripulação que já sabia do ataque, assim os marujos que prenderam os soldados no fim das contas, e Jamie tornou-se capitão do Artemis. Como Jamie virou capitão dos soldados é um mistério. Quando Jamie e Claire estão tendo uma conversa bastante lasciva, Marsali entra no quarto exigindo que Jamie cumpra a promessa dele e permita que ela e Fergus se casem já que há um padre na ilha. No episódio, a ideia parte de Jamie depois que Claire conta a ele sobre padre Fogden. No livro, Marsali já havia até conhecido o padre. Após essas conversa, Marsali pede ajuda para se preparar para o casamento e chama a madrasta pela primeira vez de “Mamãe Claire”, o que na série ainda não aconteceu. No livro, Marsali casa com um dos vestidos de Ermenegilda. Na série dá a entender que ela usou um de seus próprios vestidos. A tripulação do Artemis acabou ficando mais uma noite na ilha para que os recém-casados pudessem consumar o casamento na praia. O diálogo da cerimônia em ambas as mídias foram bem semelhantes. O momento em Jamie dá a Fergus o seu nome foi a segunda cena mais emocionante deste episódio. O sorriso no rosto do jovem, o reconhecimento do amor de Jamie a ele como a um filho, foi maravilhoso. Foi a hora em que escutamos “Fergus Claudel Fraser” que é possível sentir a evidência da ligação de pai e filho que eles compartilham. No capítulo, Claire comenta ainda como a teimosia de Marsali, uma moça de 15 anos, conseguira fazer com que esse casamento ocorresse. Antes do casamento, eles colocaram a cena de Claire e Marsali falando sobre fazer bebês que havia sido cortada de um dos episódios anteriores, mas infelizmente o que eu realmente queria ver não entrou no diálogo: Claire falando sobre suas filhas. Além de Marsali explicando que achava que a maternidade iria fazer com que ela não gostasse tanto de ficar próxima a Fergus.



Para as cenas finais do episódio, há um salto em relação aos capítulos. Pode ser que eles apenas tenham invertido a ordem, e a trama que está incluída neles ainda apareça até o fim da temporada. No episódio, enquanto Claire corria atrás de Jamie pela floresta, ela sofre um corte no braço. No capítulo 54, ela recebe um golpe de um pirata que ataca o Artemis, esse corte é que a faz ter uma febre e precise da penicilina. Ele também é bem mais profundo que o das telas sendo descrito como “fundo até o osso, da axila ao cotovelo”. O Sr. Willoughby oferece-se para suturar o braço dela uma vez que Jamie estava bem incerto sobre a situação. No capítulo 56, ela comenta que foram 43 pontos que levou. Também é neste capítulo que Claire pede para Jamie aplicar nela a penicilina e ele congela diante da ideia. No fim, foi ela mesma quem injetou o antibiótico. A sopa de tartaruga foi preparada por Murphy a partir de uma tartaruga que Stern havia pegado. No episódio é o sr. Willoughby quem havia caçado e preparado a iguaria. Assim como em “Uncharted”, Claire também fica bêbada com a sopa de tartaruga que aparentemente estava cheia de conhaque e tenta “atacar” Jamie para um momento carnal. Ele tenta se desvencilhar afirmando que ela estava bêbada, mas acaba cedendo à investida da esposa. Quem os interrompe no livro é o naturalista, o que na série mais uma vez fica a cargo do sr. Willoughby.


Faltam apenas dois episódios para o final da temporada e muito material ainda para ser adaptado. A busca por jovem Ian continua e a ansiedade para saber como a produção conseguirá inserir tantos capítulos em apenas duas horas também. Até o próximo episódio ;)



Por Tuísa Sampaio




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