Resenha: A Cruz de Fogo


Contém spoilers

O quinto romance da série Outlander inicia-se no num dia muitíssimo longo em que ocorre uma assembleia (the gathering). A contagem de tempo desse livro é extremamente lenta, tanto é que um dia soma vários acontecimentos e o aparecimento de muitos personagens. A mesma situação acontece com o dia do casamento de Jocasta, tia de Jamie, que ocorre mais na frente. A assembleia e o casamento de Jocasta são os dois principais eventos da trama e a maioria dos conflitos resume-se à problemática diária de tratar com as famílias dos arrendatários e a preparação para guerra. Assim, A Cruz de Fogo acaba sendo um dos livros que menos agradam os fãs de Outlander, e confesso que é o que eu menos gosto também. Se você já leu e não gostou, não se desanime, porque o sexto livro tem um ritmo completamente diferente.


Capa original da edição atual


Diana cansou de torturar Jamie, e, nesse romance foi a vez de Roger sofrer mais um pouco. Ele acaba sendo enforcado como traidor, mas por sorte, Claire consegue salvá-lo por meio de uma cricotireotomia (acesso cirúrgico para a traqueostomia). Entretanto, ele perde a voz por um tempo e quando a recupera, já não consegue cantar como antes. Assim, o casamento entre Bree e Roger acaba passando por uma fase mais conturbada com as tentativas de aproximações de Brianna de seu marido pesaroso com a perda de algo com o qual muito se orgulhava. Dentre as descobertas trazidas por esta história vem o fato que Jemmy pode muito provavelmente viajar através das pedras como seus pais. A conclusão do livro traz uma linda declaração de Jamie para Claire:

“ Quando realmente chegar o dia em que tenhamos que nos separar – ele disse ternamente, virando-se para olhar para mim – , se minhas últimas palavras não forem ‘Eu a amo’, você vai saber que foi porque não tive tempo.”
Apesar de A cruz de fogo ser o livro que eu menos gosto da série como um todo, esse é o meu final favorito até agora dentre a trama de Diana.


Capa da primeira edição de A Cruz de Fogo(Rocco)


Assim, como os outros livros, a Cruz de fogo tem um tema e um formato. Diana escreve em The Outlandish companion v.02, que o quinto livro tem a forma de um arco-íris: começa com um dia bastante longo e as várias tramas do enredo desenvolvem-se a partir dele. Quanto ao tema, é bem claro que é sobre comunidade, já que todo o enredo gira em torno de grandes encontros, convivência e o modo de vida da família e seus arrendatários em Fraser’s Ridge. Diana explica em the Outlandish companion v.02 (tradução nossa):

“A Cruz de Fogo continua o senso de “construção” dos livros, do namoro, ao casamento, à família e agora à formação de uma comunidade, conforme Jamie reivindica seu destino original como laird e líder, sustentáculo e protetor de uma comunidade. Vimo-lo fazer isso (brevemente) em Lallybroch e então durante os anos depois de Culloden, quando ele liderou os prisioneiros em Ardsmuir, e os manteve (na sua maior parte) sãos e vivos ao forjá-los em uma comunidade. Jamie foi sempre definido (para ele mesmo, assim como para o leitor) pelo seu forte senso de responsabilidade e aqui nós o vemos em pleno funcionamento, conforme ele junta arrendatários para sua terra, Fraser’s Ridge, com a ajuda (e obstáculo ocasional de arrepiar os cabelos) dos viajantes do tempo de sua família. Assim como em qualquer história que vale a pena, a autodefinição de um protagonista (quer seja uma pessoa ou um grupo) é um processo tanto de descoberta, como de conflito. Pedras no caminho, oposição e perigo são as ferramentas que a natureza usa para esculpir uma personalidade marcante da pedra nativa. E assim nós vemos não apenas a formação da comunidade de Fraser’s Ridge (um paralelo e microcosmo da América emergente), mas a luta individual de Jamie, Claire, Brianna, Roger e outros, para se encaixar no seu ambiente em mudança, e preservar suas próprias identidades e descobrir suas vocações no processo.”


O que o leitor pode apreciar na comunidade dos colonos de Jamie é tanto a atividade comum da caça, preparação de comida, cuidado com as crianças, quanto as situações mais extraordinárias que costumam acompanhar os Frasers como assassinatos, roubos, mistério e guerra iminente. Finda que A Cruz de fogo seria um livro de transição da série: traz informações necessárias para os próximos livros, mas por si só não é algo muito atraente.


A editora Arqueiro publicou “A Cruz de fogo” no Brasil em dois tomos.


Capas das edições brasileiras atuais - Arqueiro

Por Tuísa Sampaio

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REFERÊNCIAS:

GABALDON, Diana. The Fiery Cross. Nova York: Dell, 2005.
GABALDON, Diana. The Outlandish Companion. 2. ed. New York: Delacorte Press, 2015.V.1.
GABALDON, Diana. The Outlandish Companion. New York: Delacorte Press, 2015. V.2.





Comentários

  1. Gente, mas esse livro é tão chato que até a resenha é curta. Dá pra ver que foi preciso tirar leite de pedra pra escrever essa. Acabei de ler a primeira parte e tô partindo pra segunda. Dá pra perceber bem, pela quantidade de informação e nos detalhes da ambientação, que é um livro para nos preparar para os próximos. Mas, olha... é um desafio!! Pra não dizer que é todo ruim, eu gostei sim de algumas partes "dia a dia" dos Frasers. Afinal, não dá só pra apanhar na vida, né?! Bom, vou seguir para a Parte 2 na esperança de não demorar tanto quanto demorei na parte 1. Mas com o preço ($$) que estão cobrando pela segunda parte da história (tanto livro físico quanto ebook), a tentação de pular logo pro sexto é grande.

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  2. Eu estou lendo/ouvindo (já que a minha versão é audio-book) o quinto livro e confesso que eu estou gostando. Não é tão emocionante como o primeiro e o segundo, mas gosto. É bem difício largar o fone de ouvidos quando comeco... Eu já achei o terceiro livro (se não estou enganada é o que conta a história de Claire em seu retorno para o Frank) bem chatinho. Espero que os próximos sejam mais dinâmicos.

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