Lallybroch: Livro x série de TV- episódio 04: Common Ground
28 novembro 2018

Livro x série de TV- episódio 04: Common Ground




Livro x série de TV- episódio 04: Common Ground







Contém spoilers dos livros e do episódio






“Common ground” é uma expressão em inglês que traduzida literalmente significa “terreno comum”. Normalmente é utilizada para fazer referência a um meio-termo ou consenso. No episódio, o título se encaixa perfeitamente nos dois significados. Esta semana, foi adaptado o trecho do capítulo quinze que havia ficado de fora em “The false bride”, o capitulo vinte (o corvo branco) e se considerarmos que a construção que estava sendo feita pelos Fraser também o capítulo dezoito (a benção do lar) apesar das ações serem diferentes, ambos da parte VII (na montanha) para o seguimento de Claire e Jamie. Quanto a Bree e Roger foram usados os capítulos 22 (a centelha de uma antiga chama) e 30 (como num passe de mágica), este já do segundo tomo e se consideramos que é nele que Roger descobre sobre a viagem de Brianna a Craigh na Dun.



- Claire e Jamie (1767)




Após conversar com o governador Tyron, Jamie vai demarcar suas terras junto com Claire e Jamie. Boa parte do episódio desenvolve-se ao redor da história do urso, que foi descrita no capítulo quinze; no caso da série, um homem vestido de urso. Como neste capítulo eles ainda estavam caminhando para encontrar Fraser’s Ridge e o enredo foi inserido no episódio seguinte quando eles já haviam visto e decidido ficar em suas terras e foi mesclado com o início da construção das casas descrita no capítulo dezoito. 


Antes de chegar na trama do urso; no episódio, eles criaram uma cena (que não existe no livro) em que Claire, Jamie e jovem Ian estão na cidade recolhendo provisões para ir a Fraser’s Ridge. Primeiro vamos lembrar que durante a gestação Marsali estava na Jamaica, e em segundo que Jamie comenta que Marsali e Bree teriam idades semelhantes o que na história original não é verdade, pois existem cinco anos de diferença entre elas (Bree é mais velha). 


No capítulo quinze, assim como nas telas, assim que vê os índios, Jamie pede para Claire lhe entregar a faca e ir para trás dele. Uma grande diferença é que jovem Ian no livro não estava presente, pois estava na jornada com John Quincy Myers para entregar Pollyanne aos índios. Na série como a ordem cronológica foi invertida, o sobrinho de Jamie estava presente no encontro com os Cherokees. No capítulo, eles encontram os índios após Jamie ter matado o urso. Ele comenta que o bicho só apareceria ali como apareceu se alguém houvesse o atiçado e quando encontram três índios descobrem quem o atiçou. É no ataque do urso em que ocorre uma cena icônica da série na qual Claire golpeia Jamie com um peixe achando que ele era o urso uma vez que estava muito escuro para enxergar. Como eles retiraram qualquer teor cômico da situação, acho que não coube encaixá-la. Enquanto na série, a presença dos índios é explicada por não gostarem dos novos vizinhos Fraser e não quererem sua presença ali; no livro, eles se encontram porque os índios buscavam o urso que Jamie matou e acabam dividindo a carne. Enquanto no episódio aparece um índio intérprete; no livro, Jamie, que era bom com línguas, se vira nos trinta para tentar entender algo que eles falam. Eles sentam, comem e bebem por quase a noite toda. No final do episódio, Jamie chega a convidar os índios para cear, porém não é algo que aparece com maiores detalhes. Pode ser que essa pequena reunião ainda apareça no próximo episódio. A situação é bem curta na verdade e serve para mostrar o primeiro elo entre os Fraser e a população indígena. Já na série, eles esticaram-na, fazendo os índios aparecem mais de uma vez ameaçando os Fraser e criando um cerco gerado pelo pseudo-urso que até chegou a roubar comida. Outro acréscimo da série foi a presença de John Quincy Myers que nesta parte do livro, como mencionei estava com jovem Ian. John no livro não foi atacado, como ocorre no episódio. 




A apresentação que Jamie faz a Claire sobre onde vai ficar cada coisa ocorre no capítulo dezoito (benção do lar), porém é mais extensa que na série. Também é neste capítulo que eles reencontram Myers que traz ferramentas e outras coisas que necessitavam para os Fraser e Duncan Innes. Também é no capitulo dezenove que Jamie decide aceitar a oferta do governador e lhe enviar uma carta informando, ou seja, depois de se estabelecer em Fraser’s ridge e começar a construir. Na série, Jamie vai pessoalmente aceitar a oferta antes de tudo. Jamie solicita a Duncan Innes para que ele procure colonos e que ajude Jocasta em sua ausência. Como Innes foi aparentemente cortado da série, imagino que ele peça a Fergus para fazer isso, ou John.. não sei. Veremos. Basicamente, foi só retirado do capítulo dezoito essa noção do início da construção das casas e aplicada no episódio em um contexto diferente com diálogos em sua maioria diversificados. O único realmente que foi incluído foi a explicação sobre os locais. 


Sobre a conversa que Claire e jovem Ian têm sobre o conhecimento dos habitantes de lallybroch em tricô, ela foi retirada do capítulo 28 (conversa acalorada), porém a o diálogo no livro é entre Claire e Jamie, e Claire comenta que vai pedir a Jocasta para ensiná-la, porém além de Jamie, jovem Ian também mostra o abc do tricô para ela. 


A conversa de Claire com as índias foi extraída do capítulo vinte (o corvo branco). Nele, enquanto Ian e Jamie cortavam madeira, Nacognaweto vem conversar com Jamie acompanhado de três mulheres. 


“Uma era menina, com não mais de treze anos, e a segunda , de trinta e poucos anos, obviamente a mãe da menina. A terceira mulher que os acompanhava era bem mais velha -- não a avó, pensei, vendo suas costas curvadas e seus cabelos brancos; talvez a bisavó.”



Na hora, vendo que os índios estavam bem vestidos, Jamie falou a Claire para ela ir colocar suas melhores roupas também, pois seria rude de outra forma. Claire e Gabrielle, esposa de Nacognaweto, conversam em francês e não, em inglês, como aparece no episódio. A índia mais velha, Claire descobre então, ser a avó de Nacognaweto , Nayawenne. Eu não tenho a mínima ideia por que mudaram os nomes dos índios na adaptação e por que cortaram a menina mais nova. A visita na verdade havia sido para levar presentes para Jamie por ter matado o urso. Nayawenne se oferece para mostrar as plantas das redondezas e Claire aceita. Durante essa caminhada, Gabrielle ia traduzindo tudo o que a índia anciã falava, após um período ela comenta que teve um sonho com Claire há uns dois meses. Nayawenne mostra a Claire a safira do sonho. O diálogo, no geral, é bem fiel ao reproduzido nas telas, de acordo com a índia, a pedra tinha poderes curativos, o que não aparece na adaptação. 




“A avó do meu marido diz que você tem remédio agora, mas terá mais. Quando seus cabelos forem brancos como os dela, é quando você encontrará seu poder total.

A senhora soltou a mecha e me encarou por um momento. Pensei ter visto uma expressão de grande tristeza nas profundezas de seus olhos, e estendi a mão para tocá-la.

Ela deu um passo para trás e disse algo mais. Gabrielle olhou para mim com timidez.

— Ela diz que você não deve se preocupar. A doença é enviada pelos deuses. Não será culpa sua.

Olhei para Nayawenne, assustada, mas ela já tinha se virado.

— O que não será culpa minha? — perguntei, mas a senhora se recusou a falar mais alguma coisa.”



Resumidamente, a produção decidiu fundir em cena dois encontros diferentes que aparecem no livro. Mudando de assunto, para mim foi uma escolha estranha a de substituir o urso real por um homem. Parece que eles nunca ouviram falar em efeitos especiais. O argumento utilizado era que não dava para usar um urso de verdade, o mesmo que eles usaram para cortar a cena de Claire com os lobos e do padre Bain com os cachorros na primeira temporada. A do padre Bain, eles até tentaram fazer, mas o ator foi realmente atacado pelos animais. Não entendo o porquê só pensar em utilizar animais de verdade quando existe computação gráfica. Por mais que seja cara, essa é uma série que já usou em outras situações, por que não usar para os animais? Eles esticaram um pequeno trecho do livro sem necessidade e muito provavelmente, como consequência alguma parte importante será cortada e filmada de forma apressada. Não vou dizer que não gostei do episódio, ele ficou muito bonito. A cena do ritual indígena foi linda, mas em termos práticos isso pode resultar em uma decepção maior em algum episódio adiante. O destaque de “Common Ground”, na minha opinião, foi jovem Ian. Apesar de não aparecer muitas vezes, quando ele estava presente sempre tinha alguma gracinha, alguma expressão que me fazia rir. O ator é fisicamente sem sal, mas está fazendo um bom trabalho. 






- Brianna e Roger (1970-71)





Os trechos relacionados a Brianna e Roger foram bem poucos neste episódio. Inclusive enquanto a parte deles já começa a adentrar no segundo tomo, os de Claire e Jamie continuam no primeiro, ainda mais porque são poucos os capítulos de Bree e Roger no primeiro volume em comparação a linha temporal de Jamie e Claire. 


Enquanto no episódio, Roger descobre onde os pais de Brianna estão ao ler um livro que ela lhe deu de presente e fazer uma pesquisa sobre as informações que contavam nele; no livro, ele, no capítulo 22, já descobre a notícia da morte deles por meio de estudos, por acaso. No episódio, o incêndio que ocasionaria a morte dos Fraser é informado a ele por Fiona algumas cenas depois que ele havia contado a Brianna que os pais tinham ido morar nas treze colônias e o papel não informava a data exata. No livro, a data era clara, 21 de janeiro de 1776. 


Roger matuta por um bom tempo se deveria ou não contar a Brianna e acaba se lembrando do dia que Claire partira. Com medo que Bree decidisse atravessar as pedras para avisar aos pais, ele prefere ficar em silêncio para mantê-la em segurança e evitar sua dor. No episódio, a decisão é resultado apenas de não fazê-la sofrer, não passa pela cabeça dele a possibilidade de ela querer ir atrás dos pais. 


No final do episódio, Roger decide ligar para Brianna, como ele não chega a falar com ela não dá para saber se tinha mudado de ideia e iria contar a ela sobre a morte dos pais ou se só queria tentar se reconectar. Quem responde a ligação é a colega de apartamento, Gayle, e fala que Brianna foi visitar a mãe na Escócia. Roger junta 2+2 e desconfia que ela pretende atravessar as pedras em Craigh na Dun. Se ela descobriu sobre a morte dos pais ou se quis viajar por solidão ou saudade só saberemos depois. No livro, a decisão da viagem dela é por ter descoberto a notícia do incêndio e querer avisar aos pais sobre ela a fim de tentar impedi-lo, algo que Roger previra que poderia acontecer. No capítulo 30, Roger percebe que Brianna viajou no tempo, pois recebe uma caixa dela com o bilhete “Você me falou certa vez que seu pai lhe disse que todo mundo precisa de uma história. Esta é a minha. Poderia guardar com a sua?”. Na caixa havia fotografias, uma boneca de trapos, um chapéu de Mickey Mouse surrado, uma caixinha de música que tocava “Over the rainbow”, uma camisa vermelha desbotada masculina que Roger assumiu ser de Frank, um roupão, um conjunto de talheres de prata, anéis, broches e brincos. A ausência do colar de pérolas de Claire e o bracelete que ele havia dado a Bree foi que o fez ter a epifania que a caixa foi o aviso de que ela iria voltar no tempo e precisava que alguém soubesse disso. Ele tenta ligar para o Bree nos Estados Unidos, mas o que ouve é a mensagem de que o número não está mais em operação. Em busca de Brianna, Roger liga para Joe Abernathy, este achava que Bree estava com Roger. Joe conta que Brianna se formou mais cedo e tinha partido direto para Escócia com o intuito de ir a Inverness. O período que ela chegaria era justamente aquele em que a passagem estava aberta. 






Os pormenores da investigação de Roger sobre se Bree voltou ou não pelas pedras devem aparecer no próximo episódio. Foram poucas as cenas deles nesse, mas a trilha sonora que vem sendo colocada para eles está linda. A de Claire e Jamie também, uma coisa que não se pode reclamar dessa série é da trilha. Esse foi um episódio que não andou muito nos livros e teve mais um quê de transição. O próximo, no entanto, já promete a passagem de Bree pelas pedras, muito provavelmente no final, e é aí que a melhor parte da aventura começa. 



Por Tuísa Sampaio 

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